19 de janeiro de 2021 Grupo Feitosa de Comunicação
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Agropecuária

MAPA alerta que produtores precisam se adequar para exportar carne para UE

Superintendente Federal da Agricultura, Orlando Baez
Superintendente Federal da Agricultura, Orlando Baez - Eliane Ferreira / Agroimagebank.com

Orientações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) para habilitar à exportação de carne foram passadas aos produtores rurais em evento realizado no auditório da Federação de Agricultura e Pecuária de MS (Famasul).

A propriedade rural que receber a certificação passa a integrar a lista do ERAS (Cadastro do Estabelecimento Rural Aprovado) com permissão para vender ao mercado europeu. O certificado é dado aos produtores rurais que seguirem à risca as regras do Sistema Brasileiro de Identificação Bovina e Bubalina (Sisbov), um conjunto de Instruções Normativas do Governo Brasileiro para garantir o acesso da carne nacional a mercados externos, lançado em 2002.

Em todo o Brasil existem hoje, segundo o MAPA, 400 propriedades rurais que possuem condições de exportar carne para a União Européia. Em Mato Grosso do Sul ainda nenhuma propriedade foi habilitada para a exportação.

O Superintendente Federal da Agricultura (SFA), Orlando Baez, acredita que o mercado europeu é exigente, em termo de rastreabilidade e segurança alimentar. “Adaptar a propriedade rural hoje é uma regra do jogo. É um mercado exigente, coletivo e eu penso que com um intervalo de tempo o produtor tem que investir na melhoria da gestão da propriedade rural”, declara.

Para Baez, a União Européia quer que os proprietários rurais sul-mato-grossense criem uma gestão moderna em suas fazendas. “Os produtores precisam se enquadrar nessas regras”, determina. O superintendente confia que o Estado alcance o maior número de propriedades exportando para a União Européia, atendendo assim as necessidades do velho continente. “Nosso objetivo é chegar no final do ano com o maior número de propriedades certificadas no Brasil”, esclarece.

O fiscal federal agropecuário e auditor do Sisbov, Luiz Augusto Cuglieri Ferreira acredita que o processo para as certificações não está tendo resistência por parte do produtor, mas é necessário que eles melhorem a qualidade de suas propriedades. “O pecuarista precisa estar mais atento à normativa do Sisbov quando ele for cobrado durante a auditoria. As certificadoras também precisam prestar mais atenção ao trabalho para que, nas vitorias, só aprove propriedades que estejam em condições de receber a auditoria do MAPA”, comenta.

Luiz afirma ainda que em caso da propriedade não estiver dentro dos padrões do MAPA aumenta o prazo para que o proprietário se adéqüe. “O MAPA não tem feito uma capacitação dos produtores, porém está disponível para qualquer esclarecimento e dúvida”, pondera, lembrando que as certificadoras cadastradas pelo Ministério também podem atender os produtores. “O Ministério sente que existe interesse e empenho do produtor em procurar se adequar a normativa e fazer parte da lista de propriedade para exportar para a União Européia”.

Já para o vice-presidente da Famasul, Eduardo Riedel, o Sisbov, desde que começou, é um caso mal resolvido. “Eu acho que o Brasil impôs uma situação à cadeia pecuária e não houve sucesso da maneira que era esperado com todo avanço do programa e eram muito mais um método para atender uma demanda documental às exigências do mercado, mas não ao que viesse de fato funcionar e houve uma série de erros do processo”.

O que emperra o Sisbov - Empecilhos de todos os tipos, segundo auditores, atrapalham o funcionamento do Sisbov e acabam prejudicando a cadeia produtiva da carne. Desinformação, desunião, falta de compromisso de produtores, frigoríficos e certificadores são alguns problemas externos. O MAPA também falha, com equipes insuficientes para atender a demanda do Estado. A geografia sul-mato-grossense é outro obstáculo. Propriedades distantes dificultam a comunicação e a chegada dos fiscais.

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