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Agronegócio

Agronegócio argentino deve reter safra

12 fevereiro 2014 - 09h00
"Os pesos são inúteis. A pior coisa que você pode fazer é ter pesos." Alfredo Rodes, presidente da associação agrícola Carbap, da Província de Buenos Aires, fala em nome de muitos produtores de soja da Argentina, que viraram as costas para a moeda local.
 
Diante de uma desvalorização de 16% do peso neste ano, com os mercados emergentes abalados pelas preocupações com o fim dos estímulos monetários pelos bancos centrais, os produtores de soja estão armazenando suas safras, cotadas em dólares, em silos, em vez de vendê-las - e estão dispostos a fazer isso pelo maior tempo possível.
 
Outra safra tem início em abril. Como a Argentina responde por cerca de um décimo das exportações mundiais de soja e quase metade do comércio de alimentos à base de soja, a decisão dos agricultores de segurar a colheita vai afetar os mercados futuros globais.
 
O consenso é que o armazenamento intenso de soja vai prosseguir. Juan Luciano, diretor operacional da Archer Daniels Midland, uma trading e processadora agrícola, disse a analistas na semana passada: "Os agricultores estão vendo suas colheitas como uma proteção de valor contra a possível desvalorização [cambial]. Portanto, estamos monitorando com muito mais atenção esse impacto."
 
A queda nos volumes de venda dos agricultores argentinos atingiu o mercado no começo do ano, com os temores da desvalorização do peso e a aceleração da inflação na Argentina.
 
Os preços dos alimentos a base de soja permanecem firmes "nos exercícios das opções", enquanto que a falta de soja afeta companhias globais como ADM, Bunge, Cargill e Glencore. As turbulências no câmbio elevaram o preço da soja em mais de 20% em pesos desde o começo do ano. Por outro lado, os contratos futuros de soja negociados em Chicago tiveram alta de 1,6%, a US$ 13,33 por bushel.
 
Todavia, com a continuidade do temor de mais desvalorização, e com a inflação na Argentina em torno de 30%, analistas não acreditam que os agricultores vão liquidar seus estoques de soja. "Se não for criado um mecanismo para que os produtores possam converter soja em ativos que possam reter seus valores no cenário inflacionário atual, a limitação das vendas pelos produtores deverá continuar", diz o Departamento da Agricultura dos Estados Unidos.
 
Os produtores venderam apenas 6% da safra mais recente para fábricas de esmagamento e exportadores, segundo dados do banco Macquarie. Isso se compara a 11% nesse mesmo período do ano passado e 25% em de 2012.
 
Os estoques de soja que restaram da safra do ano passado na Argentina somarão o recorde de 9 milhões de toneladas antes da safra deste ano, quase o dobro do volume anual normal, diz o Departamento da Agricultura dos EUA.
 
Hector Huergo, ex-diretor do Instituto Nacional de Tecnologia Agrícola, zomba do governo pelos ataques que ele vem fazendo aos agricultores que estão estocando soja. "Se tenho uma geladeira cheia de cervejas, não estou fazendo estoque se não bebê-las todas de uma vez. Bebo quando tenho sede", diz ele.
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