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MATERNIDADE & ESTILO DE VIDA

Psicóloga sobre ensino online infantil durante o isolamento social: "todos iremos perder. Será impossível sairmos ilesos deste momento difícil"

25 maio 2020 - 18h51Por Viviane Feitosa
Desde quando soube que estava grávida do meu segundo filho, eu antevi a necessidade da Martina, minha primeira filha, começar a frequentar a escola. Uma agenda mais intensa com ela fora de casa aliviaria a rotina com o bebê que vai chegar e também a distrairia dos olhares de visitas e família, todos voltados para ele.
Desde o início do ano, fiz algumas visitas em escolas e me encantei por uma em especial aqui em Campo Grande. Meio que contra a vontade do meu marido, que achou prematura enviarmos à escola aos 2 anos e 2 meses, foram feitas a matrícula e a compra de toda extensa lista de material, uniforme e etc, até que março chegou.
Ela foi exatamente cinco dias à escola, de 2 a 8 de março, com uma empolgação como se estivesse indo ao emprego dos sonhos, sem reclamar inclusive de acordar cedo.
Já na semana seguinte, no entanto, o entusiasmo deu lugar a uma febre com coriza. O pai pediatra tinha razão, ela ainda não estava com o sistema imunológico preparado. Não, graças a Deus não era covid ou qualquer doença mais grave, mas a sua febre chegou no exato momento em que a pandemia começava a dar as caras no Brasil e a quarentena passou a ser realidade aqui também.
Conclusão: a experiência em casa com ensino infantil foi breve. A escola foi compreensiva e não questionou o cancelamento dos boletos seguintes. Neste meio tempo, houve envio de alguns vídeos por WhatsApp, mas desde muito cedo eu já havia entendido que o objetivo da escola para a minha filha e a minha família seria exatamente aquilo que a pandemia nos tirou: sair de casa e socializar com outras pessoas. Na impossibilidade de termos isso, a matrícula dela em qualquer estabelecimento não teria motivos.
Se aqui em casa o assunto parecia estar resolvido, o que eu via em redes sociais e imprensa foi o assunto tomando proporções agressivas. De um lado, as escolas não queriam ver seu faturamento despencar e assim transformou professores em produtores de vídeo e conteúdo para os alunos.
De outro, pais revoltados por terem que se dividir entre o Home Office e o ensino das crianças.
 

Com a opinião formada distante do fervor dos primeiros dias, a psicóloga e mãe de duas crianças que estão recebendo ensino online Renata Verrunes respondeu a algumas dúvidas enviadas para ela por WhatsApp:

Veja como foi:

 
V - Olá, Renata! Obrigada por aceitar mais uma vez falar com a gente sobre educação e Psicologia infantil. Bom, desde o início do isolamento social, em meados de março, as escolas foram determinadas por decreto a encerrar atividades, sem previsão de retorno. Nesse meio tempo, alunos de todos os níveis passaram a receber conteúdos online para as atividades em casa. A polêmica maior  é em torno do ensino infantil, que seria do berçário aos 6 anos.
Qual sua opinião sobre a eficiência do ensino a distância pra essa faixa?
 
R- Primeiramente, vamos entender em qual fase está essa criança. Até seis anos, consideramos a primeira infância. Momento onde a criança é extremamente criativa, o mundo da fantasia é vivenciado com muita intensidade e a construção do aparelho psíquico está acontecendo, ou seja, o olhar da  professora com cada um, o vínculo, a troca são absolutamente fundamentais inclusive no processo de aprendizagem. A criança aprende através das vivências, logo, o EAD seria muito complicado para essa fase. Entendo que existe ideal e real. E é importante que pais e escola compreendam isso. 
 
 
V- Qual seria uma saída igualitária ( se possível) pros dois lados - pais/ alunos X escola ?
R- Tanto a escola quanto os pais e alunos irão perder. Será impossível sairmos ilesos deste momento difícil. Acredito que aceitar seria uma premissa fundamental para lidarmos com a situação. De novo, repito, IDEAL x REAL. Acho que o EAD é importante para a criança manter contato com a escola, ouvir histórias, fazer atividades que estimulem a criatividade, mas tudo isso com muita leveza, sem a ilusão de que a aprendizagem está acontecendo de maneira eficiente. 
Entendo como a situação é difícil para as escolas, tenho certeza que a maioria delas está tentando fazer o melhor possível, mas devemos ter clara a lacuna que este ano deixará no processo pedagógico. Não enxergo esta lacuna como algo destrutivo na vida escolar, pelo contrário. Temos que aprender a lidar com situações difíceis na vida. Na prática ( neste caso da pandemia), a escola terá que criar estratégias para compensar as perdas deste momento quando as aulas presenciais puderem voltar a acontecer. Não podemos querer “correr com a matéria”, concluir apostilas, isso seria ilusão .
 
V- Qual a sua sugestão para os pais que não contam com ajuda com as crianças nesse período de isolamento social? 
R - Os pais que não têm nenhum tipo de ajuda devem ter calma, aceitar e compreender o momento . Não sou contra o EAD, afinal é a única realidade possível diante da situação , mas não podemos criar uma grande ilusão com ele. 
Acredito sempre na relação família e escola e, neste momento, essa relação deve se fortalecer e não criar uma rivalidade entre pais e equipe escolar.
 
V - A convivência intensa devido ao trabalho home office aliado ao confinamento pode trazer quais sequelas para o relacionamento pais e filhos?
R- Não acho que a convivência intensa trará sequelas negativas na relação pais e filhos. Pode trazer muito estresse , irritação e chateação,mas num ambiente adequado tudo isso será superado com a volta da rotina. Acredito que poderá trazer sequelas positivas, afinal o momento exige uma presença que a rotina normal não permite. Os pais devem enxergar como uma oportunidade de estar perto, estar junto, olhar, conhecer e reparar no filho que tem, este talvez é um dos únicos benefícios que a pandemia pode trazer para as famílias.
 
V- Como criar rotina de estudos e trabalho em casa com crianças pequenas ?
R - Primeiro vamos para o concreto. Delimitar espaços é fundamental, a criança ou adolescente deve ter o lugar do estudo, horários devem ser estipulados. Quanto maior a possibilidade de estruturar uma nova rotina, melhor será este momento. 
A partir da segunda infância, a criança já consegue entender que não está de férias, as obrigações terão que ser feitas. Lembrando sempre que, compreendemos e aceitamos o momento, o que significa que os pais devem aceitar também que eles terão uma “função extra” nesta fase. Não tem como ser diferente, a criança precisará de um apoio em casa durante o processo do EAD. Por mais difícil que isso seja para família, o contexto exigirá. Mas não criamos a ilusão de que a aprendizagem acontecerá com excelência. 
Na pré adolescência e na adolescência, ou seja , a partir do sexto ano mais ou menos, já existe uma possibilidade bem maior da aprendizagem acontecer, mas a escola e os pais também devem ter cautela, fazer muita fixação de conteúdo, sem ter como principal preocupação concluir apostilas. Em todas as fases lacunas existirão, é inevitável. 
 
 
V- Tem sido propagado em alguns perfis de redes sociais que as crianças que estão supridas com as necessidades básicas e afetivas irão lembrar dessa época com uma visão romantizada. O que você pensa dessa afirmação ?
Concordo com a afirmação. A criança cuidada, amada e alimentada não terá sequelas desta fase, mesmo que os pais estejam tensos, preocupados, angustiados. Não se preocupem, a criança tem uma grande capacidade de superação .

A Renata Verrunes atende em Campo Grande/MS - Instagram @psicologia.crianca.adolescente

 

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