"Vamos perder vidas ". O alerta é da advogada especialista em Previdência Social, Priscilla Arraes Reino ao avaliar a situação de caos que se instalou no INSS em todo País e a fila de espera que tem mais de 18,6 mil pessoas somente em Mato Grosso do Sul. "Acredito que este número é subestimado no Estado. Se pensar que no Brasil temos 1,4 milhão de pessoas esperando uma decisão há mais de 45 dias que é o prazo que o INSS tem para analisar ou indeferir um pedido, a gente tem um numero que não fecha", frisou. A advogada foi a entrevistada desta quinta-feira (16) do programa Giro Estadual de Notícias, do Grupo Feitosa de Comunicação.
Com uma vasta carteira de clientes em busca dos benefícios e convivendo diretamente com a situação de desespero de algumas pessoas, ela teme pelo caos que se formou no setor. "São 18.673 famílias esperando para saber o que vai ser de suas vidas. Muitas vezes sem nenhuma renda sem poder comprar a cesta básica, gente doente, aguardando auxílio, salário maternidade que sai muitas vezes depois que a pessoa já terminou a licença. É preciso analisar esta situação pelo ponto de vista humano", esclarece a advogada.
Priscilla alega que o problema na Previdência se arrasta há anos, mas foi agravado pela redução no número de servidores e as mudanças na Reforma da Previdência. "É preciso fazer concurso. Nós temos 5 mil servidores do INSS atuando hoje e mais 50% dos servidores tem condições de se aposentar e vão fazê-lo até o final de 2020. Ou seja o contingente cairá para 2500 servidores públicos para responder por 1 milhão de pedidos mensais. É muito serviço e não é culpa do servidor. Precisamos dizer que eles estão sobrecarregados com cargas de trabalho homéricas. É impossível eles fazerem frente a uma demanda que vem crescendo ano a ano", enfatizou.
Exército
Com relação a proposta do Governo federal de escalar militares da reserva para atuarem numa força tarefa no INSS a advogada é bastante cautelosa. "Entendemos que é preciso uma medida emergencial e reconhece que é possível. No entanto precisamos ver que sem conhecimento técnico e sem preparo será difícil. Nos já temos represados quase 2 milhões de pedidos é preciso isso de imediato. O próprio alto comando militar estipula que seria necessário de 3 a 4 meses para preparar este pessoal. Portanto não teremos militares nos ajudando de início embora seja louvável a decisão do Governo de trazer militares, de resolver emergencialmente. Mas eles não estarão preparados para isso de pronto. Precisam ser treinado, além disso isso seria uma questão contingencial. O que precisa é definir metas e soluções não pra hoje pra resolver permanente o problema", destacou a especialista.
Priscila aponta que o caminho para quem está esperando pelo benefício é mesmo a judicialização. "Muita gente que poderia estar recorrendo no INSS vai pra Justiça, porque para que vai esperar um recurso decidir daqui 3 anos se na Justiça tenho decisão mais rápida. Então a gente está ai batendo cabeça porque enquanto Governo diz que quer reduzir judicialização ao mesmo tempo ele toma atitudes que aumentam a judicialização. Temos que olhar para problema como um todo e não apenas os números que o Governo aponta", finalizou.
A entrevista completa você confere no player.