Mesmo com o setor da construção civil em Mato Grosso do Sul registrando forte demanda por mão de obra e crescendo de forma consistente em 2025, o presidente da Associação dos Construtores de Mato Grosso do Sul (Acomasul), arquiteto Gustavo Shiota, fez um alerta nesta sexta-feira (27): a falta de interesse dos jovens pela profissão e a escassez de reposição de trabalhadores já experientes ameaçam a sustentabilidade do setor.
Em entrevista ao Giro Estadual de Notícias, ele apontou que, sem investimentos imediatos em qualificação e atração de novos profissionais, o ritmo aquecido da construção civil pode não se sustentar.
De acordo com Shiota, a indústria da construção vem enfrentando um cenário de envelhecimento da mão de obra e dificuldade em renovar seu quadro de trabalhadores. “A construção civil tem visto uma grande demanda por obras, pelas oportunidades que vêm com o crescimento do Estado, mas muitos jovens têm optado por outros caminhos. Precisamos investir em treinamento e atrair nova mão de obra especializada”, explicou.
O momento favorável para a construção civil em MS também impõe desafios estruturais. Segundo o presidente da Acomasul, as áreas mais carentes de novos trabalhadores são aquelas ligadas à “mão de obra bruta”, como demolição e transporte de materiais, e os serviços de acabamento, estes últimos, aliás, apontados como nicho no qual mulheres têm papel essencial. Shiota citou iniciativa da indústria regional para incentivar a participação feminina nestas atividades.
Presidente da Acomasul alerta para escassez de mão de obra e insegurança jurídica, mesmo com alta demanda por construção civil em MS.
Apesar da contratação intensa registrada em outubro (quando a construção civil figurou entre os setores com mais vagas abertas), a perspectiva de envelhecimento e escassez de mão de obra coloca em risco a continuidade das obras, sobretudo para os empreendimentos de habitação popular e expansão imobiliária interiorana.
Habitação social e interior em expansão - Apesar dos desafios, Shiota afirmou que há motivo para otimismo. A demanda por habitação social, especialmente via programas como Minha Casa, Minha Vida, impulsionada pela necessidade habitacional e pela oferta de imóveis com custos mais acessíveis, tem sustentado o aquecimento do setor.
“Mesmo com muitas construções, a necessidade de moradia continua alta. A habitação social sustenta parte significativa da construção civil no interior e na capital”, afirmou. Esse movimento, segundo ele, beneficia municípios menores, que têm recebido novas moradias e imóveis acessíveis. Esse dado vai ao encontro de análises recentes que apontam que a construção civil em Mato Grosso do Sul atravessa 2025 com otimismo, apesar dos desafios.
Shiota também criticou a burocracia urbanística e os entraves ao licenciamento de obras, sobretudo em Campo Grande. Ele explicou que, por causa da demora nos processos de aprovação, em especial licenciamento ambiental, aprovação urbanística, bombeiros e outras exigências, muitos empreendimentos migraram para o interior do Estado, onde o trâmite é mais célere. “A Capital acaba perdendo investimentos porque empresas preferem construir em regiões onde a aprovação sai mais rápido e com menos insegurança jurídica”, relatou.
Como exemplo da instabilidade, ele citou casos como o recente impasse envolvendo empreendimentos na região do Parque dos Poderes, que teriam passado por aprovação mas sofrem agora questionamentos, gerando incerteza no mercado e desestimulando novos investimentos.
Shiota: Juros altos, burocracia e insegurança jurídica assustam investidores, mas há caminhos se houver planejamento
Apesar dos obstáculos, há expectativa de ganho com a nova lei municipal de habitação popular, Habita Mais CG, já sancionada em Campo Grande. Para Shiota, o dispositivo pode destravar sonhos da população de baixa renda e dar novo fôlego à construção civil. A lei permite que lotes padrões (360 m²) sejam subdivididos em unidades menores sem a necessidade de constituição de condomínio, o que reduz custos e agiliza a construção e venda de casas populares.
Esse tipo de flexibilização, conforme o presidente da Acomasul, pode tornar mais viável a moradia própria para famílias de baixa renda e incentivar pequenos e médios construtores locais. Com isso, mesmo diante de juros elevados e custos maiores, a expectativa para 2026 é de manutenção da demanda, especialmente por construção social, e retomada gradual da confiança do consumidor.
Construir mesmo em tempos de juros altos - Para quem sonha com a casa própria, mesmo em meio a elevação da taxa de juros, Shiota sugere cautela e planejamento, adquirir terreno em loteamentos com financiamento facilitado, construir por etapas (com recursos liberados à medida que a obra avança), ou optar por imóveis prontos em programas subsidiados. “Investir em imóvel, mesmo quando você erra, você acerta”, comentou.
Ele acredita que com o apoio dos programas habitacionais federais e a flexibilização trazida por leis como a Habita Mais CG, ainda é possível conquistar a moradia própria com custo e risco controlados.
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