Os preços dos materiais de construção tiveram reajuste de até 60% nos últimos meses no Estado. A afirmação é do presidente da Associação dos Construtores de Mato Grosso do Sul (Acomasul), Adão Castilho, que esteve na sexta-feira (28), participando do programa Giro Estadual de Notícias. De acordo com ele, a paralisação nas indústrias e redução de jornada por conta do coronavírus tiveram reflexos diretos no aumento de valores de itens da construção civil, de materiais que vão do básico ao acabamento.
As altas mais expressivas citadas pelo presidente da entidade foram na parte elétrica onde alguns tipos de fios subiram até 80%; hidráulico 30% de reajuste, além do básico como cimento que majorou em 8,5% e o aço que variou de 10% a 12% de reajuste.
"Foi uma realidade isso aí. As indústrias pararam de fabricar alguns produtos e quando voltaram parecem que quiserem repassar valores, e isso não está sendo repassado no valor das obras", frisou o empresário.
Outro produto que valorizou foi o tijolo. O comerciante que antes pagava R$ 500 no milheiro do tijolo está comprando o material por R$ 1 mil.
O motivo, segundo os donos de lojas do setor é a lei de oferta e procura. No início da pandemia, houve uma queda de 14% do número de novos empreendimentos, mas as vendas de imóveis cresceram em torno de 20%.
Programa O lançamento do programa habitacional Casa Verde Amarela, que substituirá o Minha Casa Minha Vida (MCMV), na última terça-feira (25) trouxe ânimo aos empresários da construção civil de Mato Grosso do Sul
O Programa Casa Verde e Amarela reduziu a parcela de spread bancário (diferença entre o valor pago pelo banco aos correntistas e o cobrado nas operações de crédito) pago pelo Fundo aos agentes financeiros operadores do programa, garantindo mais recursos. Os cidadãos interessados devem procurar diretamente as construtoras credenciadas e os bancos operadores.
"Economia e saúde têm de caminhar juntas, esperamos que a pandemia vá embora logo e por isso precisamos ter metas desde já para iniciar a recuperação. O governo acerta a mão porque a construção civil é o alicerce da economia", afirmou Castilho.
Ele salienta que o setor vê a iniciativa como positiva. "O Governo federal aproveitou e reformulou o Minha Casa Minha Vida, que virou Casa Verde e Amarela dando uma forma mais justa nos juros também", acrescentou. Uma das grandes diferenças no programa é uma nova regra de repasse para a Caixa empresa que opera os financiamentos e subsídios. Até o ano passado, ela recebia um valor de 1% do financiamento, que passa a ser de 0,5%. Essa economia será repassada aos juros cobrados dos consumidores que, com taxas de juros mais baixas, passam a ter um poder de compra maior.
Aliás, Castilho destaca que o momento é excelente para quem deseja investir no financiamento de imóveis aproveitando a taxa Selic baixa de 2% de juros. "Isso está dando um grande incentivo a faixa mais carente. Temos no País um déficit de 8 milhões de habitações. E neste momento de pandemia é importante que povo tenha local mais decente para morar. Por isso vemos com bons olhos a reformulação do programa", destacou.
Vazios urbanos - O presidente da Acomasul ainda voltou a falar sobre a portaria do Ministério da Integração Regional que baixou medidas que exigem que todas as construções devem ser em ruas pavimentadas. "Isso prejudica o pequeno empresário da construção civil. Normalmente somos nós que preenchemos os vazios urbanos com construções. No entanto como fazemos casas isoladas em alguns bairros sem pavimentação estamos com carência. A lei não permite mais construção onde não tem asfalto. Temos bairros bem localizados com escola creche toda a segurança, mas não podemos construir porque não é pavimentado. Por isso existem vários lotes abandonados e o pode público que deve pavimentar", argumentou .
Finalmente o presidente da Acomasul lembra que o asfalto valoriza muito as regiões. "Pedimos as autoridades, senadores de MS que se engajem. Vamos preencher vazios urbanos dos municípios. A falta de pavimentação asfáltica impede a compra. Isso precisa mudar", conclui.