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EDUCAÇÃO FINANCEIRA

"Criança só quer presente caro se tiver faltando algo na relação familiar", diz educadora financeira

8 outubro 2020 - 09h20 Por Rosana Siqueira

Pedir presentes caros, fazer birra nas lojas, chorar pelo celular de última geração, a batedeira cor-de-rosa, ou a boneca surpresa? Qual pai e mãe nunca passou por esta situação? No entanto, o famoso “piti” das crianças por presentes pode estar ligado a uma carência extrema de afeto e atenção dos pais. Quem, faz o alerta é a educadora financeira Sabrina Nakao, que participou nesta quinta-feira (8) do programa Giro Estadual de Notícias. Ele deu dicas sobre como falar de dinheiro com os pequenos e sobre a educação financeira na infância.

“A criança, de fato, só quer presente caro porque está faltando alguma coisa em casa. O brinquedo caro está sendo o alvo porque falta atenção da família. Ou seja é mais fácil comprar o presente do que manter a presença. Por isso sugiro que os pais façam atividades com os filhos que envolvam a companhia. Como um passeio um piquenique, um café da manhã. Se você tiver mais momentos com seu filho ele nem vai lembrar de presente. Faça coisas de artes, experiências e seja mais presente”, orientou.

Outro ponto levantado pela educação é que em muitas casas a questão do dinheiro é um tabu. “Não se conversa  sobre isso com as crianças. A educação financeira ainda é desconhecida. Se você ensinar sobre o dinheiro, explicar, a criança poderá entender melhor sobre o tema, suas necessidades e conquistas”, adiantou.

Sabrina Nakao participou do Giro Estadual de Notícias

Sabrina alega que a psicologia econômica explica que a importância de fazer a criança entender o que conquistar a independência financeira. “Ou seja você só é o que é pelo que passou. Se faliu antes e agora conseguiu se reerguer é uma  conquista. Esta sensação da conquista no entanto muitos pais não passam aos filhos. Se você da pro seu filho tudo que não teve ele não poderá conquistar  sozinho e nunca vai subir estes degraus e chegar onde você chegou”, enfatizou ela lembrando a máxima que a primeira geração conquista, a segunda aprende e a terceira pode colocar tudo abaixo e perder os recursos.

“É precisa se pensar na educação financeira dentro de casa. O  dinheiro não pode ser tabu”, frisou.

Pandemia e economia

A pandemia, na avaliação da educadora financeira teve um lado positivo na economia. Ela ensinou que os brasileiros devem ter uma reserva de dinheiro para momentos de crise. “O Brasil iniciou nesta pandemia uma cultura de educação financeira. Temos que debater muito para que comecem a ter o hábito de fazer reserva de dinheiro em tempos difíceis”, afirmou.

A especialista destaca que muitos brasileiros achavam que a reserva era coisa de rico, mas  notaram que se passar por uma emergência este dinheiro será primordial. “Todo  mundo precisaria ter reserva de emergência. Por isso  para todo mundo pandemia foi uma grande aula de educação financeira . As pessoas estão acordando para cuidar do seu dinheiro, das suas finanças”, enfatizou.

O brasileiro, segundo ele, por si só não tem  educação financeira. Muitos, segundo ela, pegaram o dinheiro do auxílio emergência, ou gastaram ou guardaram em casa. “Teve muita gente que pegou auxilio e não mudou a renda deles. Pegaram o dinheiro e guardaram em casa. Ou seja não depositaram no Tesouro, num banco digital para que estes valores rendessem. Com isso faltou dinheiro e governo teve que emitir notas, trazendo a inflação”, finalizou.

O Instagram da educadora é @criancasefinancas e traz inúmeras dicas sobre como tratar do assunto.

A entrevista completa você confere no player.