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PREÇO

Altas em produtos de alimentação devem continuar e afetar o orçamento do consumidor do Estado

4 setembro 2020 - 10h00 Por Rosana Siqueira

O consumidor da Capital, que já está enfrentando aumentos expressivos em produtos como arroz, feijão, óleo de soja e carne deve ficar atento e se preparar para situações piores nos próximos seis meses que serão de novas majorações em alguns itens básicos da alimentação. O alerta é da economista Andreia Ferreira, Supervisora técnica do escritório do DIEESE em Mato Grosso do Sul, que participou do programa Giro Estadual de Notícias do Grupo Feitosa de Comunicação desta sexta-feira (4).

A economista lembra que os trabalhadores estão vendo sua remuneração perder valor, enquanto os produtos da cesta, os mais básicos, estão subindo. "Os alimentos estão pressionando a inflação. Isso porque ainda a inflação calculada inclui outros componentes além da alimentação, que são o transporte educação entre outros itens. Tudo isso ajuda a compor a inflação e no que se refere à alimentação, o trabalhador fica ainda mais pressionado", afirmou.

"O Dieese observa além da cesta básica, e ajudamos inclusive nas mesas de negociação de sindicato de trabalhadores. Pela nossa análise, enquanto os itens de alimentação subiram neste período, o salário mínimo não avançou muito. O Governo tirou a valorização com  a previsão dos valores para ano que vem. Teve redução no salário, nenhum ganho real. Estimavam ainda que a inflação projetada iria cair, mas não é o que se percebe", salientou.

Outro ponto citado pela economista é a falta no Brasil de uma política eficiente de preços mínimos. "Isso é mais desesperador porque não há continuidade de políticas e políticas bem sucedidas para garantir o abastecimento. Temos a Conab, mas ela vem desde 2016 com restrições, limitações a não há a reposição de pessoas ou silos e armazéns que foram vendidos. Antes o governo comprava grãos principalmente da cesta e tinha política de preços mínimos e de isenção de tributação da cesta básica", alerta.

A idéia de voltar a tributação é preocupante. "É um perigo uma insegurança alimentar. Os produtores querem vender seu produto pelo melhor preço, o que é natural. Por isso se volta a pauta de exportação. A soja e carne que são itens de exportação são orientados para venda externa dólar em alta", citou Andreia.

Mesmo assim é temeroso para o Governo não ter política de abastecimento. "Governo vende armazéns e tem menos espaço. Compra o que dá e as pessoas que lutem. Vemos um desmonte das políticas importantes e o Brasil voltou a segurar a soja que terá recorde de produção", destacou.

Cenário negativo - A conta da pandemia ainda vai chegar ao trabalhador. "O trabalhador só vai ter percepção melhor das perdas quando acabar o auxílio emergencial que vai até dezembro. Aí sim teremos noção da queda da economia brasileira", alertou a economista.

Ela lembra que a economia que já estava debilitada foi agravada pela covid. "Como dizia o próprio Governo, o paciente Brasil que já tinha comorbidades será ainda mais afetado pela covid. Até quando, só Deus sabe. O que se vê é que as medidas para socorrer a economia não são suficientes. Ou seja, não salvamos nem as pessoas, e nem a economia", concluiu.