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INFESTAÇÃO

Moradores se preocupam com a proliferação dos Caramujos em Campo Grande

Período de chuva é propenso para a reprodução dos moluscos que podem transmitir diversas doenças para o ser humano e seus animais domésticos.

6 fevereiro 2016 - 13h00Suelen Morales
Segundo a Prof. Drª Daniele, Todos os caramujos que nós coletamos, das 07 (sete) regiões de Campo Grande, tem algum tipo de contaminação parasitária (vermes e protozoários)..
Segundo a Prof. Drª Daniele, "Todos os caramujos que nós coletamos, das 07 (sete) regiões de Campo Grande, tem algum tipo de contaminação parasitária (vermes e protozoários).". - Divulgação
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O Caracol-gigante-africano é também chamado de caramujo e acatina. Os cientistas o chamam de Achatina fulica. Mas, independente da nomenclatura, a proliferação desse molusco principalmente neste período de chuvas, têm preocupado muitas famílias em Campo Grande. Vindo para o Brasil na década de 80 para cultivo e comercialização, ao longo dos anos pesquisadores comprovaram que o caramujo é transmissor de diversas doenças verminosas.

A aposentada, Almerinda dos Santos Pache de Souza, é moradora no bairro Taquarussu. Ela conta quando o molusco chegou em sua residência e nunca mais saiu. "Há 10 anos sofremos com os caramujos. Eles começaram a aparecer na frente de casa e na época de chuva foram se proliferando e agora estão por toda a casa", relata.

Almerinda disse ainda que fora do período de chuvas eles somem, porém o estrago que deixam é grande. "Quando as chuvas cessam, eles somem. Porém, já acabaram com as plantas. Tinhamos uma Taíoba de mais de 30 anos, que foi destruída por esses bichos", conta.

A Professora Doutora em biologia e coordenadora geral do Grupo de Pesquisa em Malacologia da UCDB (Universidade Católica Dom Bosco), Daniele Decanine, explica o motivo desse fenômeno. 

"O molusco de água doce veio da África, na década de 1980, trazido por criadores com a intenção de ser comercializado como “escargot”. A comercialização não deu certo, e muitos criadores soltaram os caramujos no ambiente. Hoje são considerados uma das principais espécies invasoras, estando entre as 100 piores já identificadas por acarretarem diversos prejuízos ao ambiente e sérios danos a saúde. Eles alimentam-se de qualquer tipo de vegetal, podendo destruir hortas e jardins", explica.

O marido de Almerinda, o aposentado Didácio de Souza, tentou várias vezes eliminar o problema.  "Tentamos matá-los com cal, salmoura e juntá-los nos sacos para jogar fora. No entanto, a cada chuva eles reaparecem", diz.

Mas, a Drª Daniele alerta sobre os meios incorretos de eliminar o problema. "Não devemos manusear eles sem luvas ou proteção nas mãos; Não se deve jogar cal ou sal; Nem incinerar ou  enterrar os moluscos. Pois, embora sejam medidas muito utilizadas pela população, a utilização desses insumos não só é responsável pela contaminação ambiental, mas também pode causar muitos problemas de saúde aos trabalhadores e consumidores. O uso do sal contribuí para salinização do solo, causando prejuízos que vão desde a destruição de gramados e plantas à contaminação de outros animais e pessoas", ressalta.

Segundo Didácio, além das plantas os caramujos descobriram outros tipos de alimentos. "Descobrimos que gostam também das correspondências", brinca. "Eles comeram nosso holerite. Comem tudo o que veem pela frente, até pimenta", afirma.

 A filha do casal, a professora de artes, Neddy Ester, se mostra mais tranquila em relação ao problema.  "Pesquisei na internet sobre o caramujo africano e descobri que nem todos transmitem doenças, somente os que estão infectados. No começo eu tentava de tudo para acabar com os caramujos, mas hoje estou mais tranquila quanto ao assunto", expõe.

Já a pesquisadora, diz que o molusco além de ser portador de parasitos que causam diarreia, perda de peso, dores abdominais, principalmente em crianças. Eles podem hospedar vermes capazes de provocar duas doenças graves.

 "A angiostrongilíase abdominal que provoca fortes dores abdominais, febre, perda de apetite, vômitos e pode levar a perfuração do intestino, hemorragia e em alguns casos a morte. E a meningite eosinofílica, que afeta o sistema nervoso provocando a inflamação das meninges (membranas que recobrem o cérebro) gerando dores de cabeça intensa, rigidez na nuca e febre. Podemos adquirir essas doenças quando manuseamos ou ingerimos acidentalmente o caramujo ou alimentos contaminados com seu muco", alerta.

Para Almerinda, o CCZ (centro de Controle de Zoonoses) "deveria estudar esses bichos e exterminá-los", finaliza.

Dengue
Vale ressaltar outro grande perigo que a infestação desses moluscos podem causar. 

"Esses moluscos têm sido encontrados em grande número nos terrenos baldios, nos quintais e nos interiores das residências e estabelecimentos comerciais, fato esse denunciado pela população e diversas vezes noticiado pela mídia local. A concha do caramujo morto se torna reservatório de água parada e aumenta o foco do mosquito da dengue. Por isso, é importante quebrar a concha quando este já estiver morto e dentro do saco plástico", destaca Daniele.

Confira a dica da pesquisadora Daniele Decanine para manusear e eliminar corretamente os caramujos:

  • Proteja as mãos com luvas ou sacos plásticos;
  • Procure os caramujos nas primeiras horas da manhã ou no entardecer quando eles estão mais ativos (durante o dia ele se esconde);
  • Recolha-os e mergulhe-os em um recipiente (balde ou bacia) com uma solução preparada (uma parte de água sanitária para três partes de água), deixando por 24 horas;
  • Despeje a solução no esgoto e em seguida coloque as conchas em um saco plástico para serem descartadas no lixo comum;
  • Lave bem os alimentos antes de consumi-los (deixe-os de molho por 15 a 30 minutos em uma solução de água + água sanitária, para cada litro de água, use uma colher de sopa de água sanitária).

 

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