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CULTURA

Livros ajudam as crianças a se distrair e a lidar com os sentimentos

Mercado editorial antecipa lançamentos e investe em livros de atividades e passatempos e também em obras sobre emoções durante a pandemia

20 setembro 2020 - 10h35Maria Fernanda Rodrigues , O Estado de S. Paulo
Brincadeiras, um gatinho novo, celular e agora um livro que ensina a desenhar ajudam no equilíbrio da rotina de Manoela Sampaio Graziano de Oliveira
Brincadeiras, um gatinho novo, celular e agora um livro que ensina a desenhar ajudam no equilíbrio da rotina de Manoela Sampaio Graziano de Oliveira - (Foto: Tiago Queiroz/Estadão)
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Houve um tempo em que grupos de WhatsApp e redes sociais eram inundados com dicas do que fazer com as crianças em casa durante a quarentena. Brincadeiras antigas, muita sucata, tempo de tela controlado. Lá pelos idos de março e abril, havia energia e esperança. Era uma fase. E, no entanto, ainda estamos aqui. As dicas rarearam. O celular está liberado. Bichinhos de estimação chegaram para dar uma força. E as crianças ainda estão entediadas, irritadas, tristes.

“Elas vão pilhando, não percebem que ficam mais perdidas, se tornam mais dengosas e têm crises de choro. Não sabem identificar e definir os sentimentos, elas simplesmente sentem”, disse Alberto Graziano, pai de Manoela, de 7 anos.

Pensando em crianças como Manoela, o mercado editorial correu para lançar livros de atividades e passatempo. A Sextante, por exemplo, antecipou a publicação de uma coleção em parceria com o canal Manual do Mundo e vem lançando títulos como Meu Caderno de Atividades do Jardim da Infância, com 96 jogos e passatempos para maiores de 5 anos, e Desenhe 50 Animais, um livro de 1974 de Lee J. Ames que agora distrai Manu em casa.

“Não tinha nada mais urgente para oferecer aos leitores do que esses livros. Colocamos todo o time para trabalhar neles e isso deu um sentido ao que fazemos. É muito gratificante pensar que isso pode ajudar tanta gente que está em casa com criança pequena”, disse Tomás da Veiga Pereira, sócio da Sextante, cujo catálogo é mais voltado ao leitor adulto e para obras de autoajuda.

A pandemia também colocou a Coquetel e a Pixel, do grupo Ediouro, a pensar ainda mais nesse tipo de material. A revistinha Picolé virou livrão e o título escolhido para a estreia, em julho, foi Brincando e Aprendendo com Hábitos Saudáveis. No fim do mês, chega às livrarias Brincando e Aprendendo com o Mindfulness. A ideia de transformar a revista em livro já existia, mas a editora apressou os planos. E os temas – saúde física e saúde mental – foram escolhidos por causa de tudo o que estamos vivendo.

Tanto os títulos da Coquetel/Picolé quanto os da Pixel (com personagens licenciados) trazem os mesmos tipos de passatempos que distraíam crianças de gerações anteriores em dias de chuva na praia: caça-palavras, jogo dos sete erros e por aí vai. Para Daniela Cajueiro, diretora editorial da Ediouro Publicações, o fascínio dos pequenos por essas atividades não muda – nem o dos adultos. “Temos registrado um movimento muito bom de banca. Há muita procura por passatempos e a Coquetel está tendo um bom retorno, inclusive com um maior número de assinaturas durante a pandemia.” 

Daniela contou ainda que o grupo ampliou em cerca de 15% a publicação desse tipo de obra e que está estudando como transformar o material em digital. 

(Foto: Tiago Queiroz/Estadão)

“Nesse momento, o mais importante é cuidar da saúde mental de todos. O máximo que as famílias conseguirem oferecer de atividades que ajudem a criança a relaxar, a se entreter de forma prazerosa e tornar esse momento um pouco mais tranquilo e com menos pressão, é o ideal”, explica a psicóloga Rafaela Gualdi, especialista em terapia cognitivo-comportamental da infância e adolescência. Os livros, as brincadeiras e até o tablet e o celular, desde que com qualidade, acompanhamento e diálogo para que a experiência seja menos passiva, ajudam.

A tão falada pandemia da saúde mental, que sucederia a do coronavírus, já chegou, na opinião da psicóloga. Ela sugere, para famílias que se sintam seguras e, claro, seguindo todas as regras, uma certa flexibilização para que as crianças possam conviver com outra criança, passar mais tempo na natureza e fazer atividade física. E a boa e velha conversa. “Os pais devem ficar atentos a qualquer alteração de humor e comportamento tanto para intervir quanto para acolher. Converse, ouça, valide os sentimentos da criança.” Mas não está fácil para ninguém, e os pais também devem cuidar de suas próprias emoções para ajudar os pequenos a entender a deles, comenta.

E aqui também vem uma ajuda dos livros. Outro título antecipado pela Sextante na pandemia foi Vamos Lidar Com a Raiva: 50 Atividades Para Crianças, de Samantha Snowden. Em novembro, sai Eu e Meus Sentimentos. Tudo isso vem na esteira de Emocionário, que soma 30 mil cópias vendidas desde 2018.

Livros para passar o tempo ou lidar com as emoções

(Foto: Reprodução)

Meu Caderno de Atividades

Essa coleção da Sextante com o Manual do Mundo conta com livros de atividades para crianças de 4 e de 5 anos, livro de caligrafia, sobre o corpo humano, números, entre outros títulos

Desenhe 50 animais

Clássico de Lee J. Ames ganha nova edição, também pela Sextante e Manual do Mundo, e traz um recado do autor: o livro não deve ser imposto, mas, sim, estar disponível.

Brincando e Aprendendo Com Mindfulness

Derivado da revista ‘Picolé’, livro que será lançado no fim do mês fala de saúde mental por meio de jogos e passatempo. Ns bancas e livrarias, o leitor encontra o Brincando e Aprendendo Com Hábitos Saudáveis.

Vamos Lidar Com a Raiva

Para crianças maiores, livro da Sextante ensina a identificar o sentimento e propõe exercícios que ensinam estratégias para controlar a raiva.

Emocionário

Dicionário ilustrado que explica sentimentos como tristeza, irritação, tédio, melancolia, saudade, aceitação, amor, culpa e remorso. Saiu pela Sextante.

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