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EFEITO ESTUFA

Emissões de gases de efeito estufa na pecuária são medidas no Pantanal

Experimentos da Rede Pecus na região completam um ano de testes.

13 dezembro 2015 - 10h00DA REDAÇÃO
Os fatores que podem influenciar essa situação, como o porte dos animais geralmente menores que os de outras regiões do país ou adaptações genéticas ao ambiente.
Os fatores que podem influenciar essa situação, como o porte dos animais geralmente menores que os de outras regiões do país ou adaptações genéticas ao ambiente. - Divulgação

Quanto metano emite um bovino no Pantanal do Brasil? Essa é uma das questões que o Pecus Pantanal, subprojeto que integra a Rede Pecus de pesquisa, busca responder. De acordo com Ana Marozzi Fernandes, pesquisadora da Embrapa Pantanal que coordena a iniciativa no bioma, a equipe já tem resultados preliminares sobre a emissão de gases de efeito estufa (GEE) no ambiente e na pecuária pantaneira. “As medições revelam que as nossas emissões são muito menores do que aquilo que os padrões internacionais preconizam, até no Pantanal. Os bovinos nessa região se alimentam de pastagens de menor qualidade nutritiva em relação às pastagens cultivadas e exóticas dos outros biomas e não têm uma dieta com introdução de alimentos como grãos, que diminuiriam a emissão. Mesmo assim, eles ainda têm uma emissão muito semelhante àquela que se observa no restante do Cerrado, por exemplo”, diz a pesquisadora.

De acordo com Ana, a equipe investiga, agora, os fatores que podem influenciar essa situação, como o porte dos animais (geralmente menores que os de outras regiões do país) ou adaptações genéticas ao ambiente. Outra conclusão da equipe de pesquisa diz respeito à produção de metano pelo próprio ambiente pantaneiro – o gás é emitido naturalmente por solos alagados, com pouco oxigênio, como os do bioma na época das cheias. "Os dados que a gente obteve indicam que é muito provável que exista um equilíbrio. Ou seja: quando os solos estão encharcados, eles emitem metano. Quando eles secam, eles absorvem esse gás”, afirma a pesquisadora. Segundo Ana, um dos principais objetivos desses estudos é obter informações regionais totalmente adaptadas para considerar a relação entre a produção pecuária brasileira (e pantaneira) e os GEE. “Nos armarmos de argumentos científicos para contestar possíveis barreiras não tarifárias ou críticas que venham a surgir no futuro – especialmente, por parte do exterior”.

Com o final do primeiro ano de testes no Pantanal, a unidade da Embrapa localizada em Corumbá (MS) recebeu a visita da pesquisadora Patrícia Oliveira, coordenadora nacional da Rede Pecus – uma rede de pesquisa que estuda a relação entre a emissão e sequestro de GEE na pecuária em todo o país. Segundo Patrícia, a Rede analisa formas de unir a conservação ambiental à produtividade na fazenda. “Os sistemas que foram manejados procurando a máxima eficiência são aqueles que menos emitem esses gases”, diz. “A Rede tem conseguido, sob condições de bom manejo, um acúmulo de carbono bastante grande nos sistemas pecuários de produção – o que é muito importante não só para as questões de gases de efeito estufa, mas também para a melhoria de outras questões tecnológicas, como uma melhor estruturação dos solos (para evitar erosões) e manutenção da fertilidade. As tecnologias que apontam para a redução da emissão de GEE e o aumento do sequestro de carbono têm efeitos secundários em outras questões de eficiência nos sistemas de produção”.

Ainda de acordo com a pesquisadora, o projeto – que teve início em 2011 – deve terminar em junho do ano que vem. “Nós vamos ter um simpósio sobre gases de efeito estufa, em que a gente pretende trazer para perto a comunidade científica e os estudantes, em especial. Ao fim desse evento, nós faremos uma nova articulação para definir o futuro da Rede. Temos novas demandas para estudo e, agora, precisamos decidir como atender a esses novos experimentos”, diz Patrícia. Para a pesquisadora Ana, os dados produzidos pelo Pecus Pantanal podem ajudar a esclarecer o mercado internacional sobre o real impacto da produção pecuária regional. “No Pantanal, a nossa luta é para que se considerem as áreas não desmatadas, as florestas (que agem como grandes estoques de carbono) como forma de mitigação desse metano que vem da pecuária – já que o Pantanal é um bioma preservado, com 85% das suas áreas florestadas originais mantidas. Com as mudanças climáticas se concretizando, a gente quer ter soluções a oferecer para os produtores rurais”, finaliza.

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