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AÇÃO SOCIAL

Crianças do Rede Solidária transformam a vida simples em sonhos reais com música, dança e arte

Criado em 2015, o projeto possui mais de 1,1 mil crianças e adolescentes inscritos

24 fevereiro 2019 - 08h00
A superação dos jovens vai muito além das oficinas e atendimentos que recebem
A superação dos jovens vai muito além das oficinas e atendimentos que recebem - Fotos: Chico Ribeiro
Fort Atacadista Natal

A vida é humilde, com poucos recursos e geralmente sofrida. Com escassas opções de lazer, o jeito é muitas vezes perambular pelas ruas. Contudo, apesar da narrativa de luta e sofrimento, nada é suficiente para cessar a determinação de crianças e adolescentes que superam as dificuldades cotidianas através da arte, música e dança. Por meio do projeto Rede Solidária, no bairro Noroeste, o que poderia ser um cenário de descrença, se torna um espaço de surpreendentes transformações.

Criado em 2015 pelo Governo do Estado, o projeto possui mais de 1,1 mil crianças e adolescentes inscritos. Desse total, quase 800 estão na unidade do Noroeste, onde recebem no contraturno da escola, além de alimentação e aprendizado, a oportunidade de sonhar.

A superação dos jovens vai muito além das oficinas e atendimentos que recebem. “A formação que acontece aqui é algo surpreendente, é uma mudança social. Vemos crianças que não só participam, mas que começam a ter outro tipo de postura, amadurecem de verdade. Acompanhei o caso de um adolescente que tinha problema de bebida alcoólica, com 14 anos, e com as aulas de capoeira o problema foi sanado. Se enxergando como atleta, ele obteve na capoeira estímulo e determinação que o fizeram deixar de beber”, conta Pedro Barros, diretor do Rede Solidária no bairro Noroeste. 

“Quando meu pai, – ele é meu padrasto, mas chamo ele de pai -, vem assistir as minhas apresentações ele fica emocionado. Fica muito emocionado. Se não tivesse o projeto ia ser muito chato, não ia ter nada para fazer”. O relato simples é de Raiane Silva Cardoso, de 10 anos, que sonha em ser cantora.  

Envergonhada e com um sorriso doce, a menina conta sobre as aulas de coral e capoeira. É um “talento nato”, diz a professora de canto, Marta Cel. “Ela tem um talento incrível e além de ser super afinada, ela ainda toca. Na aula de percussão, se destaca e chega na capoeira, também se destaca”, conta.

Com o mesmo canto e encanto, Gabriele da Silva Ferreira, 9 anos, chama a atenção durante o coro. A afinação é adjetivo que se encaixa perfeitamente na voz da menina, garante a professora. Mas o sonho segue inclinado para dança. “Meu sonho mesmo é ser bailarina, mas faço aulas de canto, coral e balé”.

Com pureza estampada na fala, aos 9 anos, a menina Júlia Sales da Silva narra com detalhes de gente grande como são as oficinas de artesanato e balé. Há dois anos no Projeto, ela diz, orgulhosa de si mesma, que já aprendeu a fazer vasos de planta e peças indígenas. “Juntamos as peças para fazer a arte. É muito divertido. Podemos levar para casa aquilo que a gente faz e depois a gente pode vender. Quando eu faço alguma coisa muito bonita, minha mãe até chora”, conta a pequena artesã. Mas assim como Gabriele, o sonho é ser uma grande bailarina.

Rede Solidária

O Projeto se torna para os frequentadores o “quintal de casa”, conta o diretor Pedro Barros. “Aqui eles se distraem, amadurecem, aprendem a zelar pelas coisas materiais. Mas nada é feito de forma imposta, tudo vem do convívio no Projeto. Aqui é o quintal de casa para eles”, diz.

À frente do Rede há quase dois anos, Pedro já testemunhou experiências ímpares. “Consigo vivenciar a mudança de comportamento e outras situações que nos deixam totalmente sensibilizados. Um dia o cozinheiro me contou que enquanto aguardava o ônibus, dois irmãos do Projeto passavam em frente ao ponto de ônibus. Um deles teria perguntado ao outro se ele voltaria no dia seguinte. E o menino rapidamente respondeu que sim, já que precisava almoçar. O cozinheiro me contou que o que ele faz aqui vai muito além da questão salarial. Ele se sentia responsável em dar sempre o melhor por eles”, revela.

Além da brinquedoteca e das aulas de informática, percussão, violão, costura, musicalização, coral, karatê, capoeira, street dance, balé, artesanato e futebol, os alunos do Projeto recebem apoio escolar e atendimento psicossocial. “Um dos requisitos para se inscrever no Rede é estar matriculado na escola. Então, nós oferecemos aqui um apoio escolar, ajudamos na tarefa, tiramos algumas dúvidas e isso ajuda muito. Fazemos também atendimento psicossocial, com assistente social e psicóloga, quando necessário”, afirma. 




Na aula de canto,  às vozes fortes, simples e sem melismas (enfeite/ornamento utilizado para estender as sílabas em uma palavra em um determinado trecho musical) fazem arrepiar dos pés a cabeça qualquer um que assista o repertório. Dificuldade também é não se emocionar ao ver crianças, tão carentes de recursos, nas aulas de karatê, capoeira e outras tantas.

Para a dona de casa Gleicy Isabela Garcia, 24 anos, mãe de dois meninos inscritos no Rede Solidária, o Projeto concretiza o que pais e mães sonham para os filhos, mas não podem proporcionar. “Eu nunca poderia pagar as aulas que meus filhos têm aqui. O mais velho [9 anos] faz karatê e capoeira. O meu filho mais novo [6 anos] faz várias oficinas porque ele ainda não descobriu o que quer. O projeto ajuda a distrair, ensina muita coisa, ajuda na tarefa. Se não participassem, eles ficariam em casa sem fazer nada ou estariam na rua apreendendo coisa que não devem”, desabafa. 

Além de oferecer as aulas, o Rede Solidária se compromete com kimonos, roupas de balé – da sapatilha à rede de coque -, além de instrumentos e insumos. “Do que adiantaria oferecer as aulas e não dar os uniformes? Dizer para as mães que elas teriam que comprar a roupinha do balé? A população do entorno que participa não tem condições, então, nós oferecemos tudo”, garante Glauce Belo, integrante da Coordenação Executiva do Projeto.

O Rede Solidária do bairro Noroeste, a segunda a ser lançada pelo Governo do Estado, em 2017, funciona nos períodos matutino (7h30 às 11h) e vespertino (13h30 às 17h), na rua da Conquista, 683. A primeira unidade do Projeto fica no bairro Dom Antônio também em Campo Grande. 

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