Dormir bem é hábito essencial e 72% dos brasileiros têm problemas de sono
Especialista explica impactos da insônia, riscos da automedicação e como melhorar a qualidade do descanso
SAÚDE DO SONODormir deixou de ser apenas uma pausa na rotina para se consolidar como um dos pilares da saúde. Ainda assim, uma parcela expressiva da população enfrenta dificuldades para descansar. Dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) apontam que 72% dos brasileiros sofrem com doenças relacionadas ao sono — um índice que acende o alerta para os efeitos silenciosos das noites mal dormidas.
O endocrinologista Rodrigo Magalhães, da Hapvida, reforça que o sono de qualidade integra oficialmente a lista de hábitos saudáveis, ao lado da alimentação equilibrada e da prática regular de exercícios físicos. Segundo ele, é durante o sono que o organismo restabelece os equilíbrios psíquico, emocional e metabólico, renovando a disposição para as atividades do dia seguinte.
A necessidade de sono varia conforme a idade. Bebês e crianças precisam de mais horas, enquanto essa demanda diminui ao longo da vida. Para a maioria dos adultos, a recomendação gira entre sete e nove horas por noite, mantendo-se uma média de oito horas diárias.
No entanto, o especialista faz o alerta de que quantidade não significa, necessariamente, qualidade.
Mais importante do que cumprir um número fixo de horas é acordar com sensação de descanso. Rodrigo Magalhães relata que é comum receber pacientes que dormem oito ou nove horas, mas ainda assim acordam cansados.
Nesses casos, é necessário investigar as causas. Ansiedade, problemas clínicos, questões emocionais e menopausa estão entre as possíveis explicações. Cada situação deve ser analisada individualmente.
Consequências do sono irregular
- Cansaço crônico
- Alterações de humor
- Dificuldade de concentração
A longo prazo, o sono desregulado pode contribuir para doenças cardíacas, depressão, obesidade e diabetes. Quando a privação se estende por períodos prolongados, os danos podem ser significativos.
Automedicação é risco - O uso de medicamentos para insônia sem orientação médica também preocupa. De acordo com o endocrinologista, a insônia é uma condição que precisa ter a causa identificada. A automedicação pode mascarar problemas mais graves e atrasar o diagnóstico adequado.
A recomendação é clara: persistindo a dificuldade para dormir, a orientação médica deve ser procurada.
O impacto no corpo e na mente - Dormir não significa apenas descansar. Durante o sono, o corpo passa por processos ativos de reparo celular, regulação hormonal e consolidação da memória. O sistema imunológico se fortalece e o cérebro organiza informações e aprendizados.
Como o organismo funciona de forma integrada, noites mal dormidas sucessivas podem gerar impactos na saúde mental, vascular, metabólica e emocional, além de comprometer o desempenho pessoal e profissional.
Hábitos que ajudam a dormir melhor
- Manter horários fixos para dormir e acordar
- Criar uma rotina antes de deitar
- Manter o quarto em ambiente calmo e confortável
- Evitar telas antes de dormir
- Não consumir alimentos pesados no jantar
- Evitar cafeína à noite
- Tomar sol e praticar exercícios físicos
- Ler em papel antes de dormir
Se, mesmo com esses cuidados, o problema persistir, o acompanhamento médico é o caminho mais seguro.