Luís Eduardo Leal | 23 de fevereiro de 2026 - 20h30

Ibovespa recua 0,88% após recorde e fecha aos 188,8 mil pontos com pressão de bancos

Índice chegou a 191 mil pontos no intradia, mas acompanhou piora em NY; no ano, alta ainda é de 17,21%

ECONOMIA
Ibovespa renova máxima no intradia, mas fecha em queda após piora em Nova York e pressão sobre ações de bancos. - (Foto: B3/Divulgação)

O Ibovespa acompanhou a piora das bolsas de Nova York na tarde desta segunda-feira (23) e encerrou o pregão em queda de 0,88%, aos 188.853,49 pontos, após ter renovado máxima histórica no intradia, ao alcançar os 191 mil pontos. Na abertura, o índice chegou aos 190,5 mil pontos.

No pior momento da sessão, a Bolsa tocou a mínima de 188.525,73 pontos. O giro financeiro foi de R$ 32,3 bilhões. Apesar do recuo no dia, o Ibovespa ainda acumula alta de 4,13% no mês e avanço de 17,21% no ano.

Na sexta-feira, o índice havia registrado o 12º fechamento recorde desde 14 de janeiro, ao encerrar acima dos 190 mil pontos pela primeira vez.

O bom desempenho de pesos-pesados como Vale (ON +0,67%) e Petrobras (ON +1,95%; PN +1,63%) não foi suficiente para sustentar o índice diante das fortes perdas do setor financeiro.

Entre os destaques negativos estiveram Itaú (PN -3,62%), Santander (Unit -5,69%) e Bradesco (ON -1,92%; PN -2,44%). Também figuraram entre as maiores quedas Hapvida (-5,05%), Vibra (-4,87%) e Magazine Luiza (-3,98%).

Na ponta positiva, ficaram Raízen (+5,00%), MBRF (+3,88%), Telefônica Brasil (+3,27%) e Bradespar (+2,15%).

Segundo Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, Vale avançou após acordo para hub de minério na Índia, enquanto a Telefônica Brasil reagiu ao balanço do quarto trimestre de 2025. Já a Petrobras foi beneficiada pela alta do petróleo pela manhã, mas perdeu força à tarde.

O movimento de realização de lucros ocorre após sete semanas consecutivas de alta do Ibovespa, a sequência positiva mais longa desde abril e junho de 2023.

Em Nova York, os principais índices recuaram: Dow Jones (-1,66%), S&P 500 (-1,04%) e Nasdaq (-1,13%).

O mercado reagiu à nova escalada da política comercial dos Estados Unidos. No fim de semana, o presidente Donald Trump anunciou a elevação das tarifas globais de 10% para 15%, após a Suprema Corte ter derrubado o chamado “tarifaço” imposto anteriormente pela Casa Branca.

“O mercado ainda está depurando essa confusão criada por Trump”, afirma Rodrigo Marcatti, CEO da Veedha Investimentos.

Para Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, o dia foi marcado por aversão ao risco global. “Num primeiro momento, a decisão da Suprema Corte havia animado os mercados. Mas acabou desencadeando uma resposta agressiva da Casa Branca”, diz.

Trump afirmou na rede Truth Social que, devido ao cargo que ocupa, não precisaria recorrer ao Congresso para implementar tarifas. Ele também ameaçou aplicar alíquotas ainda maiores a determinados países.

Nos Estados Unidos, o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, declarou que seu partido tentará barrar qualquer tentativa de estender as tarifas com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que permite a imposição de tarifas temporárias de até 15% por 150 dias.

Apesar do recuo da Bolsa, o real se apreciou frente ao dólar. A moeda americana fechou em queda de 0,14%, cotada a R$ 5,16.

Analistas apontam que o enfraquecimento global do dólar e o diferencial de juros seguem favorecendo a moeda brasileira.