Servidora admite que assinou sem ler documento contra vereadora em Dourados
Servidora de Dourados diz em áudio que maioria dos colegas assinou relato sobre suposta invasão em unidade de saúde envolvendo a vereadora Isa Jane Marcondes
POLÍTICA LOCALUma funcionária pública de Dourados (MS) afirmou que assinou um documento contra a vereadora Isa Jane Marcondes, do Republicanos, sem ler o conteúdo. A declaração foi feita durante uma conversa registrada em áudio, na qual a servidora diz que “a maioria assinou sem ler” o teor do papel, que traz um relato sobre a atuação da parlamentar em uma unidade de saúde do município.
De acordo com o diálogo, o documento descreve que a vereadora teria invadido uma área de descanso da unidade e causado tumulto no local. Isa Jane Marcondes nega a acusação e sustenta que apenas abriu a porta, falou em voz baixa e não chegou a entrar no ambiente. Segundo o relato, cerca de 30 pessoas teriam assinado o documento que faz a acusação contra a parlamentar.
Na conversa gravada, a servidora reconhece o erro de ter assinado sem conferir o que estava escrito. Em um trecho do áudio, ela afirma: “Nós não lemos o que estava escrito. Se nós tivesse lido, nós não tinha assinado.” Ela também diz que não foi a única a agir dessa forma, relatando que outros servidores repetiram o mesmo comportamento: “A maioria assinou sem ler. A maioria tá querendo sair fora, só que não tem mais como voltar atrás.”
A fala da funcionária indica arrependimento e revela que o grupo teria apoiado formalmente a denúncia sem ter lido o teor do texto. Ainda na conversa, a servidora afirma que, se for chamada como testemunha, não pretende mentir sobre o que aconteceu. “O que for verdade é verdade e o que for mentira é mentira. Eu não vou mentir”, declara.
A vereadora Isa Jane Marcondes, por sua vez, contesta as informações descritas no documento. Ela afirma que não invadiu a área de descanso e que, na ocasião, apenas abriu a porta para perguntar por uma profissional da pediatria. Segundo a parlamentar, não houve tumulto e o contato teria sido rápido e em tom de voz baixo, sem que ela entrasse no espaço apontado na declaração.
Diante da situação, Isa Jane afirma que já autorizou seus advogados a tomar medidas judiciais contra os signatários do documento. Ela também diz que o caso pode ser levado ao Ministério Público e à Justiça, em razão da gravidade das acusações e do fato de o texto ter sido assinado por servidores que, segundo a própria funcionária, não leram o conteúdo antes de assinar.