Paradise retorna ao Disney+ e expande trama para além da cidade subterrânea
Segunda temporada estreia em 23 de fevereiro e apresenta novo mundo fora do bunker
STREAMINGO assassinato do presidente dos Estados Unidos dentro de uma cidade-bunker criada para proteger milionários do apocalipse foi o ponto de partida que transformou Paradise em um dos maiores sucessos do Disney+ em 2024. Agora, a série retorna para a segunda temporada, que estreia em 23 de fevereiro, com uma mudança decisiva: a história deixa o ambiente subterrâneo e passa a explorar o que restou do mundo na superfície.
A primeira temporada concentrou praticamente toda a narrativa na cidade subterrânea projetada pela engenheira vivida por Julianne Nicholson. Foi nesse cenário que Xavier Collins, agente do serviço secreto interpretado por Sterling K. Brown, tornou-se o principal suspeito do assassinato do presidente que jurava proteger.
Na nova fase, a trama amplia seu alcance geográfico e dramático. Xavier sai do bunker em busca de respostas e de sua esposa, mergulhando em um cenário marcado pelo confronto entre dois mundos: o subterrâneo, estruturado e protegido, e a superfície, onde sobreviventes precisaram se adaptar sem os mesmos recursos.
O criador da série, Dan Fogelman, conhecido por This is Us, explicou durante sua participação na CCXP, no fim de 2025, que a segunda temporada representa uma virada planejada desde o início.
“É uma história muito diferente porque estamos saindo para o mundo e vendo o que aconteceu lá fora. A sensação da série será a mesma, mas vamos a lugares diferentes e fazemos coisas diferentes com personagens diferentes também”, afirmou.
A proposta é manter o suspense e o ritmo que marcaram o primeiro ano, mas com novos cenários e perspectivas. Para Sterling K. Brown, que também atua como produtor executivo ao lado de Fogelman, a expansão da narrativa permite explorar um ponto que ficou apenas sugerido anteriormente: como sobreviveram aqueles que não tiveram acesso ao bunker.
“Temos a chance de ver como pessoas que sobreviveram aos últimos três anos conseguiram fazer isso sem dinheiro, sem recursos, tendo que descobrir tudo na hora. E então vemos o que acontece quando esses mundos entram em contato um com o outro”, disse o ator.
A entrada de Shailene Woodley é a principal novidade do elenco. Ela interpreta Annie, uma sobrevivente da superfície que enfrentou o evento apocalíptico sem a estrutura oferecida pelo abrigo subterrâneo. A aposta na personagem é evidente: o primeiro episódio da nova temporada é inteiramente dedicado a ela.
“Foi assustador e muito empolgante ao mesmo tempo, especialmente porque nosso primeiro episódio da temporada é todo da Shailene, só dela. Eu pensei: se vamos fazer isso, precisa ser realmente especial. E acho que tínhamos a atriz certa”, declarou Fogelman.
Para Woodley, integrar uma produção já consolidada representa um marco pessoal. “Já é um destaque na minha trajetória”, resumiu. A atriz também destacou o ambiente de trabalho. “Entrar em um ambiente tão acolhedor para uma atriz que não estava na primeira temporada e agora está na segunda não é muito comum. Sinto que sou como uma criança empolgada por fazer parte de Paradise”.
Sobre Annie, a atriz mantém cautela ao revelar detalhes, mas adianta que a personagem oferece uma perspectiva distinta da crise: a de quem precisou sobreviver sem proteção institucional ou recursos financeiros.
A primeira temporada foi amplamente elogiada, especialmente pelo episódio The Day, frequentemente citado como um dos melhores da televisão recente. O reconhecimento aumentou a expectativa para a continuação, mas Fogelman afirma não sentir o peso da pressão.
“Acho que estou ficando velho. Não sinto a pressão. Só quero que seja bom”, afirmou. Segundo ele, a história sempre foi pensada em três atos. “Já tinha um plano de três temporadas quando conversei com Sterling. Sabia o que a segunda temporada ia ser, sabia como a primeira ia terminar, sabia como a segunda e a terceira vão terminar. A única forma de fazer isso é manter a cabeça baixa e fazer o trabalho.”
Sterling K. Brown compartilha da mesma visão. “Se as palavras estão lá — e as palavras sempre estão lá —, você só tenta não estragar”, comentou.
Shailene Woodley também abordou o tema sob a ótica do processo criativo. “Não posso sentir pressão, porque se sinto, fico completamente desconectada de mim mesma e da minha intuição. Pensar no que vai acontecer fora do momento presente é um desastre para um ator.”
Desde o início, Paradise dialoga com temas contemporâneos como desigualdade de renda, concentração de poder e as consequências das mudanças climáticas. A premissa de uma cidade subterrânea construída para proteger apenas os mais ricos já evidencia essa discussão.
Fogelman, no entanto, reforça que a intenção nunca foi priorizar o discurso político sobre o entretenimento. “Nunca quis que fosse uma série importante”, afirmou. “Queria que fosse envolvente, como um livro que te faz querer virar a página. Mas se as pessoas saírem com reflexões sobre desigualdade de riqueza ou sobre a crise climática, ótimo. A medicina está dentro do produto.”
Para os atores, os temas ganham ainda mais relevância diante do cenário atual. Woodley avalia que a narrativa toca em questões humanas fundamentais. “O mundo hoje está muito fragmentado nas relações humanas. Uma série como essa representa o que pode acontecer com a humanidade quando nos unimos — e o que acontece quando escolhemos não nos unir diante de uma tragédia.”
Sterling K. Brown resume o dilema central da nova temporada. “A pergunta no fundo é: quem você quer ser? Você quer ser alguém que só toma, ou alguém generoso, que dá, que compartilha? Você vai ver muito disso na segunda temporada.”
Ao sair do bunker e olhar para a superfície, Paradise amplia sua escala sem abandonar o suspense que a consagrou. A nova temporada promete aprofundar conflitos já estabelecidos e colocar frente a frente realidades que, até então, existiam separadas.