21 de fevereiro de 2026 - 12h45

Brasil e Índia fecham oito acordos e ampliam cooperação em comércio e minerais

Parcerias incluem terras raras, aço, microempresas e área digital; comércio bilateral já soma US$ 15 bilhões

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Lula e Narendra Modi participam da assinatura de acordos bilaterais em Nova Deli - (Foto: Imagem ilustrativa/A Crítica)

Em visita oficial à Índia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, neste sábado (21), da assinatura de oito acordos entre os governos brasileiro e indiano. As parcerias abrangem áreas estratégicas como terras raras e minerais críticos, cadeia de suprimentos do aço, micro, pequenas e médias empresas, além de cooperação digital, sanitária e postal.

Do total, seis documentos são memorandos de entendimento, instrumentos que formalizam intenções e alinham objetivos antes da assinatura de contratos definitivos. Ao celebrar os avanços, Lula afirmou que “hoje foi um dia muito promissor para a Índia e para o Brasil” e associou os acordos a uma resposta ao cenário internacional marcado por protecionismo e unilateralismo comercial.

Durante o encerramento do Encontro Empresarial Brasil-Índia, realizado em Nova Deli com a presença de mais de 300 empresas brasileiras, o presidente destacou que a diversificação comercial tem papel estratégico. “No mundo de hoje, a conectividade e a diversificação comercial viraram um sinônimo de resiliência diante do recrudescimento do protecionismo e do unilateralismo comercial”, disse.

Mais cedo, ao lado do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, Lula já havia reforçado a defesa do multilateralismo. “Somos ambos países mega-diversos e polos da indústria cultural. Somos ambos defensores do multilateralismo e da paz”, afirmou.

Entre os acordos firmados, chama atenção o memorando de entendimento entre o Ministério de Minas da Índia e o Ministério de Minas e Energia do Brasil para cooperação no campo de elementos de terras raras e minerais críticos. Esses insumos são considerados estratégicos para cadeias industriais e tecnológicas.

Outro documento trata da cooperação na mineração voltada à cadeia de suprimentos do aço, firmado entre o Ministério do Aço da Índia e o Ministério de Minas e Energia do Brasil.

Também foi assinada a Declaração Conjunta sobre Parceria Digital para o Futuro, além de memorandos envolvendo:

• cooperação entre o Conselho de Pesquisa Científica e Industrial da Índia (CSIR) e o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) para acesso à Biblioteca Digital de Conhecimento Tradicional (TKDL);
• acordo entre a Anvisa e a Organização Central de Controle de Padrões de Medicamentos da Índia (CDSCO/DGHS), ligada ao Ministério da Saúde indiano;
• cooperação no setor postal entre os ministérios das Comunicações dos dois países;
• parceria entre o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte do Brasil e o Ministério das Micro, Pequenas e Médias Empresas da Índia;
• memorando sobre o uso de certificados eletrônicos de origem entre Brasil e Índia.

A assinatura dos acordos ocorre em um momento de crescimento das relações comerciais entre os dois países. Em 2025, o comércio bilateral atingiu US$ 15 bilhões, o maior valor da série histórica, com aumento de 25,5% em relação ao ano anterior.

Brasil e Índia estabeleceram como meta alcançar US$ 20 bilhões em comércio até 2030. Também estão em curso negociações para ampliar o Acordo de Comércio Preferencial Mercosul–Índia, em vigor desde 2009.

Para Lula, apesar da expansão registrada desde 2006, quando foi celebrada a parceria estratégica entre os dois países, há espaço para avançar. “De lá para cá, nosso comércio bilateral saltou de US$ 2,4 bilhões para US$ 15 bilhões. É um grande crescimento, mas é muito pouco diante do tamanho da Índia e do tamanho do Brasil”, afirmou.

No discurso aos empresários, o presidente defendeu que a ampliação do acordo comercial é prioridade e pode abrir caminho para um entendimento mais amplo. “Ampliar significativamente o Acordo de Comércio Preferencial Mercosul-Índia, que vigora desde 2009, é uma prioridade, com vistas a um futuro acordo de livre comércio. Dois mercados tão importantes como o Brasil e a Índia precisam de um arcabouço mais abrangente e mais ambicioso. O interesse recíproco é crescente”, declarou.

Lula embarcou para a Ásia na última terça-feira (17) com compromissos na Índia e na Coreia do Sul, voltados ao fortalecimento do comércio e de parcerias estratégicas. Em Nova Deli, foi recebido em retribuição à visita de Narendra Modi ao Brasil, em julho de 2025, durante a Cúpula do Brics.

Esta é a quarta viagem de Lula à Índia e a segunda no atual mandato.

Neste domingo (22), o presidente segue para Seul, na Coreia do Sul, a convite do presidente Lee Jae Myung. Será a terceira visita de Lula ao país e a primeira com status de visita de Estado. Durante a agenda, está prevista a adoção do Plano de Ação Trienal 2026-2029, com o objetivo de elevar o nível do relacionamento bilateral para uma parceria estratégica.