Redação | 21 de fevereiro de 2026 - 07h34

Trump avalia ataque limitado ao Irã e Israel entra em alerta defensivo

Ex-presidente dos EUA condiciona ação a impasse nuclear; Teerã ameaça atingir bases americanas

TENSÃO GLOBAL
Trump afirmou que avalia ataque limitado ao Irã caso não haja acordo sobre o programa nuclear do país - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Critica)

A possibilidade de um novo confronto no Oriente Médio voltou ao centro do debate internacional. Nesta sexta-feira (20), Donald Trump afirmou que avalia um ataque militar limitado ao Irã, caso não haja acordo sobre o programa nuclear iraniano. A declaração foi feita após ser questionado por um repórter sobre a hipótese de uma ofensiva. “O máximo que posso dizer é que estou considerando isso”, respondeu.

O cenário é mais delicado do que o enfrentamento registrado no ano passado, quando aviões americanos bombardearam três instalações nucleares iranianas em uma guerra que durou 12 dias. À época, Trump declarou que os locais haviam sido completamente destruídos. A possibilidade de uma nova ofensiva levanta dúvidas sobre o resultado daquela operação.

Um eventual ataque agora pode desencadear um conflito mais prolongado e com consequências imprevisíveis. Especialistas alertam que, sem um objetivo claro, uma ação liderada pelos Estados Unidos poderia ser interpretada pelo governo iraniano como ameaça existencial, provocando uma resposta mais agressiva.

Em carta enviada à ONU na quinta-feira (19), o chefe da missão do Irã afirmou que todas as bases, instalações e ativos americanos na região seriam considerados alvos legítimos caso o país seja atacado. O documento acrescenta que os EUA seriam “totalmente responsáveis por quaisquer consequências imprevisíveis e incontroláveis”.

Risco regional - A tensão afeta diretamente os cerca de 40 mil soldados americanos posicionados em 13 bases no Oriente Médio. Israel também acompanha os desdobramentos. O Exército israelense informou ter entrado em “alerta defensivo” diante da possibilidade de guerra.

“Estamos acompanhando de perto os desdobramentos regionais e cientes do discurso a respeito do Irã. As forças armadas de Israel estão em alerta defensivo”, afirmou o porta-voz militar, general Effie Defrin.

Enquanto amplia a presença militar na região, Washington mantém negociações diplomáticas com Teerã. A segunda rodada de diálogo ocorreu na terça-feira, na Suíça, mas terminou sem avanço aparente.

Trump exige que o Irã desmantele o programa nuclear, interrompa o enriquecimento de urânio e cesse o apoio a grupos aliados na região, como Hezbollah, houthis, Hamas e milícias xiitas no Iraque. Em resposta, o regime iraniano realizou exercícios militares no Estreito de Ormuz e ameaçou afundar porta-aviões americanos no Golfo Pérsico.

Durante a campanha, Trump prometeu não envolver os Estados Unidos em guerras que classificou como “sem sentido”. Ainda assim, deixou em aberto a possibilidade de ações consideradas cirúrgicas, com custo político reduzido e impacto militar controlado.