João Pedro Bitencourt | 20 de fevereiro de 2026 - 21h30

Defesa de Bolsonaro pede autorização para tratamento com estímulos elétricos na prisão

Advogados solicitam a Moraes liberação de aparelho e profissional para sessões três vezes por semana na Papudinha

POLÍTICA
Defesa solicita ao STF autorização para que Bolsonaro realize sessões de neuromodulação dentro da unidade prisional no DF. - (Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro protocolou nesta sexta-feira, 20, pedido ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para autorizar a realização de um tratamento de saúde nas dependências do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, onde ele está preso.

Os advogados solicitam a liberação de um protocolo de neuromodulação não invasiva por Estímulo Elétrico Craniano, conhecido como CES, que utiliza clipes auriculares bilaterais para aplicação de estímulos elétricos. As sessões, segundo a petição, duram de 50 minutos a uma hora, com o paciente em repouso consciente.

De acordo com o pedido, Bolsonaro foi submetido ao procedimento durante internação no fim de abril de 2025, sob condução do psicólogo e neurocientista Ricardo Caiado. A defesa afirma que, ao longo de oito dias de aplicação, houve melhora na qualidade do sono, nos quadros de ansiedade e depressão e também nos episódios de soluços, que teriam cessado no período.

Com base nesses relatos, os advogados sustentam que a neuromodulação deve complementar o tratamento medicamentoso atual e pedem autorização para que o profissional e o equipamento entrem na unidade prisional três vezes por semana, preferencialmente no fim do dia, respeitando as normas de segurança. O requerimento destaca que o procedimento precisa ser contínuo e por prazo indeterminado.

Bolsonaro foi transferido para a Papudinha em 15 de janeiro, após articulação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Ele foi condenado em 11 de setembro do ano passado a 27 anos e 3 meses de prisão por comandar uma tentativa de golpe, sendo considerado culpado por organização criminosa, golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

A defesa tem insistido em argumentos ligados ao estado de saúde para tentar a concessão de prisão domiciliar. No entanto, parecer médico elaborado por peritos da Polícia Federal, com avaliação clínica realizada em 20 de janeiro, concluiu que Bolsonaro necessita de acompanhamento contínuo, mas pode permanecer na unidade prisional.