Antonio Perez | 20 de fevereiro de 2026 - 19h45

Dólar cai a R$ 5,17 e fecha no menor valor desde maio de 2024

Queda foi impulsionada por decisão da Suprema Corte dos EUA contra tarifas de Trump

ECONOMIA
Dólar fechou a R$ 5,17 após decisão da Suprema Corte dos EUA sobre tarifas comerciais. - (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

O dólar voltou a recuar com força no mercado brasileiro e fechou a R$ 5,1759, queda de 0,98%, atingindo o menor valor desde 28 de maio de 2024. Ao longo do dia, a moeda chegou à mínima de R$ 5,1736, acompanhando o enfraquecimento do dólar no exterior.

O movimento ganhou intensidade após a Suprema Corte dos Estados Unidos considerar ilegais as chamadas tarifas recíprocas anunciadas por Donald Trump em abril do ano passado, episódio que ficou conhecido como Liberation Day. A decisão abriu espaço para maior apetite por ativos de risco, com alta nas bolsas de Nova York e valorização de moedas de países emergentes.

Mesmo com a reação de Trump, que anunciou tarifa global de 10% com base na legislação comercial americana, os investidores avaliaram que o poder do presidente para impor medidas mais amplas ficou mais limitado, o que ajudou a sustentar o ambiente positivo.

Na semana, encurtada pelo Carnaval, o dólar acumulou perda de 1,03%. No mês, a desvalorização chega a 1,37%, enquanto no ano o recuo soma 5,70%.

Analistas apontam que o Brasil está entre os países beneficiados pela decisão da Suprema Corte, já que parte relevante das exportações brasileiras aos Estados Unidos ainda estava sujeita a tarifas elevadas. O real teve um dos melhores desempenhos entre moedas emergentes e de países exportadores de commodities, ficando atrás apenas do peso argentino.

O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, voltou a operar abaixo dos 98 pontos e atingiu mínima de 97,589. Ainda assim, encerrou a semana com leve alta, influenciado por tensões geopolíticas e pelo tom mais conservador da ata do Federal Reserve.

Dados divulgados nos Estados Unidos também ficaram no radar. O Produto Interno Bruto cresceu a uma taxa anualizada de 1,4%, abaixo do ritmo observado no trimestre anterior. Já o índice de preços de gastos com consumo, medida de inflação acompanhada pelo Fed, avançou 0,4% no mês e 2,9% em 12 meses.

Especialistas avaliam que, no curto prazo, a decisão da Suprema Corte pode manter o dólar pressionado para baixo e favorecer a valorização do real, em meio ao reposicionamento de investidores estrangeiros.