Rayanderson Guerra | 20 de fevereiro de 2026 - 14h15

Lula diz que prisão de Maduro pelos EUA é inaceitável e critica interferência

Presidente defende que líder venezuelano seja julgado na própria Venezuela

CRISE INTERNACIONAL
Lula afirmou que prisão de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos é "inaceitável" e defendeu julgamento na Venezuela. - (Foto: Imagem ilustrativa/A Crítica)

A prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos provocou reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista concedida nesta sexta-feira, 20, à emissora indiana India Today, Lula classificou a ação como inaceitável e afirmou que o líder venezuelano deve responder à Justiça em seu próprio país.

“Não podemos aceitar que um chefe de Estado de um país possa invadir outro país e prender o presidente. Isso é inaceitável. Não há explicação para isso. É inaceitável”, declarou Lula, durante viagem oficial à Índia.

A fala ocorre após Maduro e a primeira-dama da Venezuela, Cilia Flores, terem sido capturados por forças militares norte-americanas em 3 de janeiro, durante uma operação noturna em Caracas. O casal foi levado para Nova York. Maduro está preso e responde a processos na Justiça dos Estados Unidos.

Acusações na Justiça americana - As autoridades norte-americanas acusam Maduro de narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro. Inicialmente, ele foi apontado como líder do chamado Cartel de los Soles, organização classificada como terrorista pelos EUA.

Posteriormente, o governo americano recuou dessa acusação específica e passou a considerar o presidente venezuelano culpado de “participar, proteger e perpetuar uma cultura de corrupção de enriquecimento a partir do tráfico de drogas”.

As penas previstas para os crimes atribuídos a Maduro variam de 20 anos de prisão até prisão perpétua.

Na entrevista, Lula reforçou que, independentemente das acusações, o julgamento deve ocorrer em território venezuelano. Para ele, a medida adotada pelos Estados Unidos representa interferência direta na soberania de outro país.

“Eu acredito que, se Maduro tiver que ser julgado, ele deve ser julgado em seu país, e não em um julgamento no exterior. Isso é inaceitável. A interferência de uma nação sobre outra nação”, afirmou.

A declaração coloca o Brasil no centro de mais um debate diplomático envolvendo a América Latina e os Estados Unidos. Ao defender que o processo ocorra na Venezuela, Lula sustenta o princípio da soberania nacional como eixo central de sua posição.

O posicionamento foi feito durante agenda internacional na Índia, onde o presidente cumpre compromissos oficiais.