Lula diz que prisão de Maduro pelos EUA é inaceitável e critica interferência
Presidente defende que líder venezuelano seja julgado na própria Venezuela
CRISE INTERNACIONALA prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos provocou reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista concedida nesta sexta-feira, 20, à emissora indiana India Today, Lula classificou a ação como inaceitável e afirmou que o líder venezuelano deve responder à Justiça em seu próprio país.
“Não podemos aceitar que um chefe de Estado de um país possa invadir outro país e prender o presidente. Isso é inaceitável. Não há explicação para isso. É inaceitável”, declarou Lula, durante viagem oficial à Índia.
A fala ocorre após Maduro e a primeira-dama da Venezuela, Cilia Flores, terem sido capturados por forças militares norte-americanas em 3 de janeiro, durante uma operação noturna em Caracas. O casal foi levado para Nova York. Maduro está preso e responde a processos na Justiça dos Estados Unidos.
Acusações na Justiça americana - As autoridades norte-americanas acusam Maduro de narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro. Inicialmente, ele foi apontado como líder do chamado Cartel de los Soles, organização classificada como terrorista pelos EUA.
Posteriormente, o governo americano recuou dessa acusação específica e passou a considerar o presidente venezuelano culpado de “participar, proteger e perpetuar uma cultura de corrupção de enriquecimento a partir do tráfico de drogas”.
As penas previstas para os crimes atribuídos a Maduro variam de 20 anos de prisão até prisão perpétua.
Na entrevista, Lula reforçou que, independentemente das acusações, o julgamento deve ocorrer em território venezuelano. Para ele, a medida adotada pelos Estados Unidos representa interferência direta na soberania de outro país.
“Eu acredito que, se Maduro tiver que ser julgado, ele deve ser julgado em seu país, e não em um julgamento no exterior. Isso é inaceitável. A interferência de uma nação sobre outra nação”, afirmou.
A declaração coloca o Brasil no centro de mais um debate diplomático envolvendo a América Latina e os Estados Unidos. Ao defender que o processo ocorra na Venezuela, Lula sustenta o princípio da soberania nacional como eixo central de sua posição.
O posicionamento foi feito durante agenda internacional na Índia, onde o presidente cumpre compromissos oficiais.