Ponte da Rota Bioceânica entra na reta final e deve ser concluída em agosto
Ligação entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta terá 1.294 metros e promete reduzir em até 17 dias o transporte para a Ásia
INFRAESTRUTURAFaltam cerca de 101 metros para que Brasil e Paraguai estejam oficialmente conectados pela Ponte Internacional da Rota Bioceânica. A estrutura, que liga Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, a Carmelo Peralta, no Paraguai, entra agora na fase final de execução, com previsão de conclusão da chamada aduela de fechamento até o fim de maio.
Com 1.294 metros de extensão e 21 metros de largura, a ponte é considerada peça central do Corredor Rodoviário de Capricórnio, conhecido como Rota Bioceânica. A aduela de fechamento, etapa que une as duas partes da estrutura no vão central, marca simbolicamente o encontro físico entre os dois países.
Após essa fase, a obra seguirá com serviços complementares. Estão previstos a instalação de cabos de aço embutidos na laje de concreto que une os lados brasileiro e paraguaio, o retensionamento dos 168 estais responsáveis pela sustentação do vão central e a colocação de 168 amortecedores nesses cabos.
Os dois pilares principais e os estais também receberão sensores eletrônicos capazes de monitorar cargas e enviar dados em tempo real para computadores que acompanham o comportamento da estrutura. O sistema permitirá verificar os esforços sofridos pela ponte com a passagem de veículos ou em caso de eventuais problemas estruturais.
Além da parte estrutural, o projeto inclui iluminação fluvial para garantir a navegação segura no Rio Paraguai, acabamento do piso, instalação de grades de proteção para pedestres e ciclistas e implantação de ciclovia. Na sequência, serão executados asfaltamento, pintura, sinalização e iluminação ornamental. A entrega completa da ponte está prevista para agosto de 2026.
A expectativa em torno da obra está diretamente ligada ao impacto logístico. O Corredor Bioceânico deverá reduzir em mais de 9,7 mil quilômetros a rota marítima das exportações brasileiras com destino à Ásia, especialmente produtos do Sudeste e do Centro-Oeste. Em viagens para a China, a estimativa aponta redução de 23% no tempo de transporte, o que representa de 12 a 17 dias a menos no trajeto.
Além da ponte e dos acessos, estão previstas estruturas alfandegárias integradas nos dois lados da fronteira. Segundo a Receita Federal, o fluxo inicial estimado é de 250 caminhões por dia, número que pode crescer conforme a rota se torne alternativa logística para exportações e importações entre Mercosul e países asiáticos.