STF permite que Daniel Vorcaro decida se vai à CPI do INSS
Comissão apura ausência de 251 mil documentos sobre crédito consignado do Banco Master
POLÍTICAO ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou o deslocamento do empresário Daniel Vorcaro a Brasília para prestar depoimento à CPI do INSS. A decisão permite que o dono do Banco Master escolha se comparece ou não à oitiva marcada para segunda-feira, dia 23, às 16h, no Senado Federal.
Vorcaro é investigado pela comissão parlamentar que apura supostas irregularidades em operações de crédito consignado vinculadas ao INSS. Segundo a Folha de S.Paulo, o empresário informou a pessoas próximas que avalia não comparecer ao depoimento.
O presidente da CPI, senador Carlos Viana, do Podemos de Minas Gerais, afirmou que poderá determinar condução coercitiva caso Vorcaro não atenda à convocação. Nesta quinta-feira, 19, o parlamentar comentou a decisão do Supremo nas redes sociais e disse que a medida demonstra “compromisso institucional diante da gravidade do que está em jogo”.
“Estamos tratando de viúvas, órfãos e aposentados que foram lesados. Cada decisão que garante o avanço das investigações representa respeito às vítimas e fortalecimento das instituições”, declarou.
O depoimento estava previsto inicialmente para o dia 5 deste mês. Foi remarcado para o dia 26 após a defesa alegar problema de saúde. Posteriormente, Viana anunciou a antecipação para segunda-feira, às 16h.
A CPI analisa, entre outros pontos, um processo administrativo do INSS, de novembro do ano passado, segundo o qual o Banco Master não apresentou 251.718 documentos que comprovariam contratos de crédito consignado. O total corresponde a 74,3% de 338.608 acordos que o banco informou ter firmado com beneficiários da Previdência entre outubro de 2021 e setembro de 2025.
Em entrevista à CNN Brasil no início do mês, Viana afirmou que espera esclarecimentos do empresário. “É hora de o senhor Vorcaro começar a falar. Fui muito firme com a defesa para que ele comece a falar para 254 mil aposentados que tinham descontos pelo banco dele sem confirmação de origem. Ou seja, o INSS repassava o dinheiro ao Banco Master”, disse.
O senador afirmou ainda que a comissão quer saber como o banco obteve a carteira de consignados, se houve favorecimento político na transferência para o INSS e como foram tratadas as reclamações de beneficiários que alegaram descontos indevidos.