União Progressista ameaça romper com Jorginho se PL lançar dois nomes ao Senado
Federação diz que não aceitará três candidatos do mesmo campo para duas vagas em Santa Catarina
ELEIÇÕES SCA disputa pelas duas vagas ao Senado em Santa Catarina abriu um novo foco de tensão entre partidos aliados. O deputado federal Fábio Schiochet, coordenador da federação União Progressista no Estado, afirmou que o grupo pode deixar de apoiar a reeleição do governador Jorginho Mello caso o PL mantenha as candidaturas de Caroline de Toni e Carlos Bolsonaro ao Senado.
A federação reúne PP e União Brasil e, segundo Schiochet, não aceitará a formação de uma chapa com três candidatos do mesmo campo político para duas vagas. Ele declarou que, se essa for a decisão do governador, o caminho da federação será apoiar João Rodrigues, do PSD.
O anúncio da pré-candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado por Santa Catarina, feito no segundo semestre do ano passado, já vinha provocando desconforto. Existe um acordo entre o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o presidente do PP, Ciro Nogueira, que previa inicialmente uma chapa com dois nomes, Caroline de Toni e o senador Esperidião Amin.
Diante da possibilidade de perder espaço na disputa, Caroline de Toni passou a negociar uma eventual migração para o Novo. Ela afirmou ter ouvido da direção nacional do PL que sua candidatura ao Senado não teria mais espaço após a confirmação de Carlos Bolsonaro na corrida eleitoral.
Esperidião Amin declarou que ninguém pode impedir sua candidatura, embora reconheça que não há viabilidade política para três postulantes ao Senado no mesmo grupo.
Interlocutores do ex-presidente Jair Bolsonaro indicam que ele tende a apoiar os nomes de Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni, cenário que pode deixar a federação União Progressista fora da aliança.
Na quarta-feira, 18, Carlos Bolsonaro publicou nas redes sociais uma foto ao lado de Caroline de Toni, gesto interpretado como sinal de aproximação política.
Nos bastidores, dirigentes da federação avaliam que Jorginho Mello depende do apoio conjunto de PP e União Brasil para garantir a reeleição. A leitura é que o governador teria dificuldades caso o PSD permaneça isolado e a federação deixe a base aliada.
Há também preocupação interna de que críticas feitas por aliados de Carlos Bolsonaro a parlamentares e ao próprio Estado possam elevar a rejeição ao nome dele e alterar o cenário eleitoral.