Hélio Lopes entra na disputa pelo TCU e tensiona acordo entre Câmara e PT
Deputado do PL diz ter apoio de 80 parlamentares e amplia cenário de incerteza na eleição
DISPUTA TCUA corrida por uma vaga no Tribunal de Contas da União ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira, 19, com o anúncio do deputado federal Hélio Lopes, do PL do Rio de Janeiro, de que pretende disputar o posto. Integrante da ala ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro, ele afirmou contar com o apoio de cerca de 80 parlamentares.
A entrada de Lopes amplia a disputa e pode dificultar um acordo firmado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta, com o PT. Ainda durante a campanha para o comando da Casa, Motta teria assegurado ao partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a indicação para a vaga no TCU, em troca de apoio político.
Em nota, Lopes informou que colocou seu nome à disposição após conversar com lideranças e avaliar o cenário nacional. Disse ainda que dialogou com Bolsonaro e outras lideranças sobre a importância do fortalecimento dos órgãos de controle e da fiscalização do uso de recursos públicos.
Com o anúncio, ele se torna o quarto nome na disputa. O PT deve indicar o deputado Odair Cunha, de Minas Gerais. Pelo Centrão, aparecem como pré-candidatos Hugo Leal, do PSD do Rio de Janeiro, e Danilo Forte, do União Brasil.
A eleição será realizada no plenário da Câmara, por voto secreto e maioria simples, sem segundo turno. Nos bastidores, a avaliação é que a fragmentação de candidaturas pode favorecer o nome do PT, caso os demais concorrentes não unifiquem forças. Até o momento, não há sinalização de recuo por parte dos outros postulantes.
Parlamentares que não participaram do acordo inicial afirmam que o entendimento entre PT e Hugo Motta, com aval do ex-presidente da Câmara Arthur Lira, não passou pelo conjunto das bancadas. A expectativa é de que a disputa seja formalizada após o carnaval, com possibilidade de votação já em março.
O Tribunal de Contas da União é composto por nove ministros, sendo seis indicados pelo Congresso Nacional e três pelo presidente da República. Entre as atribuições da Corte estão a análise das contas do presidente da República e a fiscalização de despesas da Câmara e do Senado.