Levy Teles | 19 de fevereiro de 2026 - 18h45

CPI do INSS vai questionar dono do Banco Master sobre encontros com Toffoli

Parlamentares querem esclarecimentos sobre reuniões com ministro do STF e possível impedimento em investigação

CPI DO INSS
Alfredo Gaspar, relator da CPI do INSS. - (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)

Os encontros entre o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli devem dominar a sessão da CPI do INSS marcada para a próxima segunda-feira, 23. Integrantes da comissão afirmam que irão cobrar explicações sobre a frequência das reuniões e a proximidade entre os dois.

O relator da CPI, deputado Alfredo Gaspar, informou que pretende apresentar, durante a oitiva, reportagem que cita mais de dez encontros presenciais entre Vorcaro e Toffoli, ocorridos entre 2023 e 2024. Segundo a publicação, as reuniões teriam acontecido principalmente em eventos, jantares e festas em Brasília, e indicariam, na avaliação de investigadores, uma relação de amizade.

Toffoli foi relator de investigação envolvendo o banco no Supremo. Em nota divulgada na semana passada, o ministro declarou que não mantém relação de amizade com o empresário e que jamais recebeu qualquer valor pago por ele. Confirmou, no entanto, que é sócio e recebeu dividendos de uma empresa que realizou negócios com um fundo de investimentos ligado a Vorcaro.

Também na última semana, foi divulgado que o empresário teria reclamado, em conversa extraída pela Polícia Federal de seu celular, de cobranças para efetuar pagamentos em um resort ligado ao ministro.

A oitiva de Vorcaro já havia sido adiada anteriormente após pedido da defesa. Inicialmente marcada para o dia 5 de fevereiro, a sessão foi remarcada para o dia 23.

Deputados da oposição indicam que a relação entre o banqueiro e o ministro será um dos principais focos de questionamento. O deputado Kim Kataguiri afirmou que há indícios de proximidade entre os dois e criticou o fato de Toffoli não ter se declarado impedido nas investigações relacionadas ao banco.

A senadora Damares Alves também defendeu que o ministro deveria ter se declarado suspeito no caso, embora tenha afirmado que não há ilegalidade no fato de um ministro se encontrar com empresários.

Damares integra o grupo de parlamentares que pressiona o Senado a analisar pedido de impeachment contra Toffoli. O requerimento cita dispositivos da Lei de Impeachment que tratam de suspeição em julgamentos, descumprimento de deveres do cargo e conduta incompatível com a dignidade da função.

Cabe ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, decidir se o pedido será pautado.