Pedro Lima* | 19 de fevereiro de 2026 - 12h55

Trump lança Conselho de Paz e anuncia US$ 7 bi para Gaza em meio a críticas à ONU

Iniciativa criada em Washington amplia escopo para além de Gaza e levanta reação diplomática internacional

GEOPOLÍTICA GLOBAL
Donald Trump durante o lançamento do Conselho de Paz, em Washington, ao anunciar recursos para Gaza. - (Foto: Imagem ilustrativa/A Crítica)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou oficialmente nesta semana, em Washington, o chamado Conselho de Paz, uma nova iniciativa internacional que, segundo ele, busca acelerar soluções concretas para conflitos como o da Faixa de Gaza. A criação do grupo, no entanto, já provoca reação diplomática e questionamentos sobre possível sobreposição ao papel das Nações Unidas.

Durante a abertura do encontro inaugural, Trump procurou afastar críticas de que o Conselho poderia funcionar como um rival da ONU. “Chama-se Conselho de Paz é uma palavra fácil de dizer, mas difícil de produzir: paz”, afirmou.

A proposta surgiu inicialmente como parte de um plano voltado para Gaza, mas ganhou ambição mais ampla, com alcance global. A ampliação do escopo aumentou a apreensão entre diplomatas e organismos internacionais.

Promessa de US$ 7 bilhões para Gaza - No encontro, Trump anunciou que nove países prometeram destinar US$ 7 bilhões para um pacote de ajuda à Faixa de Gaza. Os compromissos foram assumidos por Casaquistão, Azerbaijão, Emirados Árabes Unidos, Marrocos, Bahrein, Catar, Arábia Saudita, Usbequistão e Kuwait.

O valor supera os US$ 5 bilhões mencionados antes da reunião, mas ainda representa apenas uma parte dos cerca de US$ 70 bilhões estimados como necessários para reconstruir o território após dois anos de guerra.

“Cada dólar gasto é um investimento em estabilidade”, declarou o presidente americano em discurso.

Trump também anunciou que os Estados Unidos aportarão US$ 10 bilhões ao Conselho de Paz. A destinação específica desses recursos, porém, não foi detalhada.

Segundo o republicano, os países-membros deverão ainda assumir compromissos para o envio de milhares de agentes que integrariam uma força internacional de estabilização, embora não tenham sido divulgados números exatos nem cronograma de implementação.

A criação do Conselho de Paz ocorre em um momento sensível da diplomacia internacional. Parte da comunidade internacional teme que o novo organismo esvazie ou fragmente o papel tradicional da ONU na mediação de conflitos.

Trump declarou nesta semana que espera que a ONU “entre em ação” e reiterou que a organização “tem grande potencial” ainda não aproveitado.

A resposta veio de diferentes frentes. O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, afirmou que, “no plano internacional, deve ser sobretudo a ONU” a gerir situações de crise.

Na véspera do encontro promovido por Trump, o Conselho de Segurança das Nações Unidas antecipou uma reunião para discutir o cessar-fogo em Gaza e a situação nos territórios palestinos, sinalizando que o tema permanece sob a alçada formal da organização.

Além disso, nem todos os aliados dos Estados Unidos aderiram formalmente ao novo Conselho. Parte optou por participar apenas como observadora, o que evidencia cautela diante do formato e dos objetivos do grupo.

Diante das críticas, integrantes do governo americano defenderam a legitimidade da iniciativa. A secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, classificou o Conselho como uma organização “legítima”. Já o embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, afirmou que o grupo “não está falando, está fazendo”.

Disputa de protagonismo - A criação do Conselho de Paz evidencia uma disputa de protagonismo na condução de agendas internacionais sensíveis, especialmente no Oriente Médio. Ao anunciar cifras bilionárias e prometer ações práticas, Trump tenta consolidar o novo organismo como alternativa ágil frente ao que considera lentidão dos fóruns multilaterais tradicionais.

Por outro lado, a resistência diplomática indica que o reconhecimento internacional e a efetividade do Conselho dependerão de sua capacidade de coordenação com estruturas já estabelecidas, como a ONU.

Enquanto isso, Gaza segue no centro das atenções. Os recursos prometidos, embora expressivos, ainda estão longe da cifra considerada necessária para a reconstrução do território devastado por dois anos de conflito.

*Com informações da Associated Press.