Ludmylla Rocha | 19 de fevereiro de 2026 - 12h45

Casa dos Ventos e Unipar fecham acordo para autoprodução solar em MS até 2028

Parceria prevê joint venture em parque de 640 MW e garante 100% de energia renovável à petroquímica

ENERGIA RENOVÁVEL
Parque solar de 640 MW no Mato Grosso do Sul integra parceria entre Casa dos Ventos e Unipar para autoprodução de energia renovável. - Foto: Reprodução

A Casa dos Ventos e a Unipar anunciaram na quarta-feira (18) a assinatura de um contrato de autoprodução de energia renovável no Mato Grosso do Sul. O acordo prevê a formação de uma joint venture para exploração de parte de um parque solar de 640 megawatts (MW) de capacidade instalada que está em construção no Estado. A Unipar terá direito a 33 megawatts médios (MWmed) de energia a partir de 2028, em um contrato com duração inicial de 15 anos.

O negócio marca a primeira parceria entre as duas companhias e reforça o avanço da autoprodução como estratégia de grandes consumidores para reduzir custos e ampliar previsibilidade no setor elétrico.

A operação será formalizada por meio da aquisição, pela Unipar Indupa, de uma participação societária equivalente a 9,8% do capital total da Ventos de São Norberto Energias Renováveis, empresa da Casa dos Ventos responsável pelo empreendimento. A informação foi divulgada em fato relevante ao mercado.

Com a entrada no projeto, a Unipar passará a receber 33 MWmed de energia renovável a partir de 2028. O modelo de autoprodução permite que grandes consumidores se tornem sócios de usinas geradoras e, dessa forma, obtenham benefícios regulatórios, incluindo redução de encargos setoriais.

Hoje, 80% da energia consumida pela petroquímica já vêm desse tipo de arranjo. Os outros 20% são adquiridos no mercado livre de energia, por meio de contratos de longo prazo.

Segundo a Unipar, a conclusão do negócio depende do cumprimento de condições precedentes. No fato relevante, a companhia afirmou que a operação contribuirá “para ganhos de eficiência energética, maior previsibilidade operacional e avanço consistente da estratégia de descarbonização do Grupo Unipar, aumentando a competitividade da companhia em decorrência dos benefícios relacionados à autoprodução de energia por equiparação”.

Histórico de investimentos em renováveis - A Unipar já participa de outros projetos de autoprodução no País. A empresa é sócia em dois complexos eólicos, Cajuína, no Rio Grande do Norte, e Tucano, na Bahia, além de um empreendimento solar em Pirapora, Minas Gerais.

Juntos, esses três parques somam 485 MW de capacidade instalada, dos quais 159 MWmed são destinados às operações da companhia no Brasil.

Com o novo acordo no Mato Grosso do Sul, a petroquímica reforça a estratégia de manter 100% de sua operação abastecida por energia renovável.

Para a Casa dos Ventos, o projeto integra um pacote mais amplo de investimentos previstos até 2028. O parque solar no Mato Grosso do Sul faz parte de um conjunto de empreendimentos que somam dois gigawatts (GW) de capacidade.

Além da usina solar de 640 MW, estão previstos dois projetos eólicos: um de 630 MW no Ceará e outro de 830 MW no Piauí.

O diretor executivo da Casa dos Ventos, Lucas Araripe, destacou a importância da parceria com a petroquímica. Segundo ele, a Unipar é uma empresa experiente na gestão de suprimento energético, o que fortalece o portfólio da geradora.

Araripe também afirmou que, apesar do endurecimento das regras para autoprodução com a aprovação da lei de modernização do setor elétrico no ano passado, a modalidade segue atrativa, principalmente para grandes consumidores.

“A gente acredita que a autoprodução deve continuar sendo uma maneira interessante para as companhias reduzirem o custo final de energia seja via equiparação, que ficará mais restrita aos grandes consumidores e para quem tem disponibilidade de investir muito capital, seja via arrendamento, para os menores, com os quais também temos trabalhado”, disse ao Broadcast.

Cenário regulatório e estratégia de mercado - A lei de modernização do setor elétrico trouxe mudanças que tornaram mais rígidos alguns critérios para a autoprodução por equiparação. Ainda assim, empresas com grande demanda energética e capacidade de investimento seguem utilizando o modelo como forma de reduzir custos estruturais e ampliar segurança no fornecimento.

No caso da Unipar, a estratégia combina participação societária em usinas e contratos no mercado livre, garantindo diversificação de fontes e estabilidade no planejamento de longo prazo.

Para o Mato Grosso do Sul, o projeto amplia a presença de grandes investimentos em energia solar, setor que vem ganhando espaço na matriz elétrica brasileira.