AP | 18 de fevereiro de 2026 - 21h00

Trump faz evento do Mês da História Negra após polêmica com vídeo racista

Presidente evita citar Obama e defende ações voltadas à população negra em meio a críticas e ataques a programas de diversidade

INTERNACIONAL
Donald Trump participa de evento do Mês da História Negra na Casa Branca após polêmica envolvendo vídeo racista. - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Crítica)

Menos de duas semanas após a repercussão de um vídeo racista publicado em suas redes sociais, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, participou nesta quarta-feira (18) de uma recepção na Casa Branca em celebração ao Mês da História Negra, comemorado em fevereiro no país.

O evento ocorreu após Trump divulgar e depois apagar um vídeo que retratava o ex-presidente Barack Obama e a ex-primeira-dama Michelle Obama como macacos em uma selva. A publicação gerou indignação entre democratas e republicanos. Mesmo diante das críticas, o presidente afirmou que não pedirá desculpas.

Durante a cerimônia, Trump não mencionou o episódio nem citou Barack Obama, primeiro presidente negro dos Estados Unidos. Ele preferiu destacar outros nomes afro-americanos e afirmou que a data serve para “honrar a memória daqueles que vieram antes de nós”.

O presidente citou apoiadores conhecidos, como o boxeador Mike Tyson, a quem elogiou por defendê-lo de acusações de racismo, e a rapper Nicki Minaj, fazendo comentários sobre sua aparência. Também subiram ao palco integrantes do governo, entre eles o secretário de Habitação e Desenvolvimento Urbano, Scott Turner, e a responsável por indultos na Casa Branca, Alice Marie Johnson.

Johnson declarou que Trump “ouve e se importa com a América negra” e afirmou que ele não é racista. Já o presidente listou medidas que, segundo ele, beneficiaram a população afro-americana, como a sanção de uma lei que eliminou o imposto federal sobre gorjetas e o envio de tropas da Guarda Nacional para cidades como Washington, Nova Orleans e Memphis, justificando a medida como ação para restaurar a segurança.

A recepção aconteceu um dia depois de Trump publicar que tem sido “falsamente chamado de racista”, em mensagem que mencionava o reverendo Jesse Jackson, que morreu na terça-feira (17).

Apesar de reconhecer oficialmente o Mês da História Negra desde seu primeiro mandato, Trump tem adotado posições que geram controvérsia. Ele critica programas de diversidade, equidade e inclusão, classificando-os como formas de “discriminação”, e defende sua retirada do governo federal e do setor privado.

Ao mesmo tempo, o presidente afirma apoiar universidades e faculdades historicamente negras (HBCUs). A Casa Branca destacou que, no ano passado, foram destinados US$ 500 milhões a essas instituições. Parte dos recursos veio de verbas retiradas de programas voltados a faculdades com grande número de estudantes hispânicos, decisão que o governo justificou como necessária por considerar os programas anteriores inconstitucionais.

No início de seu segundo mandato, Trump também assinou uma ordem executiva para “restaurar a verdade e a sanidade na história americana”. A medida levou à retirada de conteúdos em parques nacionais considerados críticos demais ao passado dos Estados Unidos, incluindo referências ligadas à história negra.

O Mês da História Negra segue sendo oficialmente reconhecido pelo governo, mas as políticas adotadas pela atual gestão continuam alimentando o debate sobre o compromisso da administração com pautas raciais e programas de inclusão.