João Pedro Bitencourt | 18 de fevereiro de 2026 - 20h30

Moraes arquiva inquérito contra Carla Zambelli por suposta interferência em caso de Bolsonaro

PF e PGR apontam que declarações da ex-deputada ficaram no campo da retórica; extradição na Itália segue em análise

POLÍTICA
Carla Zambelli teve inquérito arquivado pelo STF, mas segue presa na Itália enquanto aguarda decisão sobre extradição. - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Critica)

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o arquivamento do inquérito que investigava a ex-deputada federal Carla Zambelli por suposta tentativa de interferir no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão foi assinada na sexta-feira (13) e divulgada nesta quarta-feira (18).

A investigação analisava declarações públicas de Zambelli nas quais ela insinuava buscar apoio de autoridades estrangeiras para influenciar o processo contra Bolsonaro. Também foram apurados repasses financeiros recebidos via Pix após sua saída do Brasil.

No relatório final, a Polícia Federal concluiu que, apesar da intenção verbalizada, não houve ação concreta que pudesse comprometer o andamento do processo judicial. Segundo os investigadores, as manifestações “não ultrapassaram o campo da retórica” e não há provas de articulações efetivas para interferir na ação penal.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) acompanhou esse entendimento e destacou que os valores recebidos por Pix teriam origem em apoiadores, dentro de uma campanha de arrecadação divulgada pela própria ex-parlamentar. O órgão também mencionou publicações em redes sociais nas quais Zambelli demonstrava apoio à política de tarifas anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas afirmou que tais manifestações não tiveram impacto prático sobre processos no Brasil.

Diante da posição da PGR e da ausência de novos elementos, Moraes determinou o arquivamento do caso, ressaltando que a investigação poderá ser reaberta caso surjam novas provas.

Extradição segue em andamento

Apesar do arquivamento desse inquérito, Zambelli continua presa na Itália e aguarda decisão sobre o pedido de extradição feito pelo Brasil. A Corte de Apelação de Roma concluiu a análise inicial do caso na última quinta-feira (12), mas o resultado será divulgado nas próximas semanas.

Após a decisão, ainda caberá recurso à Corte de Cassação, instância máxima do Judiciário italiano. Em seguida, o Ministério da Justiça da Itália terá a palavra final sobre a autorização da extradição.

Zambelli foi condenada pelo STF em dois outros processos. Em um deles, recebeu pena de dez anos de prisão por invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e falsidade ideológica, em caso envolvendo o hacker Walter Delgatti Neto. Em outro, foi condenada a cinco anos e três meses por perseguir, armada, um homem em São Paulo.

Ela deixou o Brasil após a primeira condenação e foi localizada e presa na Itália em operação conjunta da Polícia Federal com autoridades locais. Como possui cidadania italiana, a decisão sobre eventual extradição dependerá das regras do país europeu.