Antonio Perez | 18 de fevereiro de 2026 - 19h15

Dólar fecha em alta após Carnaval e volta a se aproximar de R$ 5,25

Moeda encerra quarta-feira de Cinzas a R$ 5,24, puxada por dados fortes dos EUA e ata do Fed

ECONOMIA
Dólar encerrou a quarta-feira de Cinzas em leve alta, influenciado por dados da economia americana e sinalizações do Fed. - (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Na volta dos negócios após o Carnaval, o dólar retomou força e fechou esta quarta-feira (18) em leve alta, novamente próximo dos R$ 5,25. Sem indicadores relevantes no Brasil, o mercado acompanhou o movimento externo, impulsionado por dados positivos da economia americana e pelo tom mais cauteloso do Federal Reserve sobre juros.

A moeda norte-americana chegou a cair no início da tarde, sendo negociada abaixo de R$ 5,20, mas perdeu fôlego rapidamente. O movimento foi atribuído a uma correção pontual, com investidores desmontando posições defensivas adotadas antes do feriado prolongado.

No fim do pregão, o dólar à vista subiu 0,20% e encerrou cotado a R$ 5,2406. Durante o dia, oscilou entre R$ 5,1940 e R$ 5,2496.

Apesar da alta, a moeda ainda acumula leve queda de 0,13% em fevereiro. Em janeiro, o recuo foi de 4,40%, o maior desde junho de 2025. No acumulado de 2026, o dólar registra desvalorização de 4,53%.

Com a sessão reduzida e menor volume de negócios, a taxa de câmbio ficou mais sensível a operações isoladas. Segundo operadores, parte da alta refletiu a reacomodação do mercado após o feriado.

Dados divulgados nos Estados Unidos reforçaram o movimento de valorização global do dólar. A produção industrial americana subiu 0,7% em janeiro, acima do esperado. Já o setor de construção também apresentou avanço. Por outro lado, as encomendas de bens duráveis recuaram 1,4%.

A ata do Federal Reserve, divulgada no fim da tarde, reforçou o tom mais cauteloso do banco central dos EUA. O documento indicou que autoridades não veem deterioração no mercado de trabalho e sinalizaram que novos cortes de juros podem ser avaliados com cuidado, para não comprometer o controle da inflação.

Com isso, o índice DXY — que mede o dólar frente a seis moedas fortes — subiu quase 0,60% e operou perto da máxima do dia.

Analistas apontam ainda que pode ter havido saída de recursos estrangeiros da Bolsa brasileira. Investidores continuam aproveitando os juros elevados no Brasil para aplicar em renda fixa, mas parte do capital que havia migrado para ações realizou lucros nos últimos dias, especialmente em papéis ligados a commodities.

Mesmo com a alta superior a 4% do petróleo no mercado internacional, o real acompanhou a tendência global e perdeu força frente à moeda americana.