Gabriel Damasceno | 18 de fevereiro de 2026 - 11h55

OMS reconhece nova cepa da mpox, mas mantém risco baixo para população em geral

Variação recombinante do vírus já foi detectada em ao menos quatro países; agência reforça atenção a grupos mais vulneráveis e ao sequenciamento genético

SAÚDE
Profissional de saúde analisa amostras de mpox em laboratório; OMS reconheceu nova cepa recombinante do vírus, mas manteve risco baixo para a população em geral. - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Critica)

A circulação de uma nova cepa da mpox, formada pela combinação dos clados Ib e IIb do vírus MPXV, foi oficialmente reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A confirmação veio após dois casos registrados nas últimas semanas, um no Reino Unido e outro na Índia, em pessoas que haviam viajado para o Sudeste Asiático e para um país da Península Arábica, respectivamente.

Análises de laboratório mostraram que os dois pacientes foram infectados pela mesma variante recombinante, com 99,9% de semelhança genética. Como os casos ocorreram com semanas de diferença e sem relação direta entre si, a OMS trabalha com a hipótese de que existam infecções não notificadas e de que o vírus já circule em pelo menos quatro países.

Apesar da novidade, o quadro clínico dos dois pacientes foi semelhante ao já conhecido em outras formas de mpox e nenhum evoluiu para caso grave. Por isso, a avaliação de risco global da agência não mudou: continua moderada para homens que fazem sexo com homens, trabalhadores do sexo e pessoas com múltiplos parceiros ocasionais, e baixa para a população em geral que não se enquadra nesses grupos.

Recombinante difícil de identificar em exames comuns - A OMS chama atenção para um ponto importante: testes laboratoriais que apenas diferenciam clados podem não identificar esse tipo de vírus recombinante. Nesses casos, o sequenciamento genômico é necessário para confirmar a nova cepa. A origem exata da recombinação ainda é desconhecida.

Recombinação é um processo natural que ocorre quando dois vírus parecidos infectam a mesma pessoa ao mesmo tempo e trocam partes do material genético, dando origem a um terceiro vírus, com características de ambos.

Nos dois episódios já confirmados, o rastreamento de contatos terminou sem registro de novos doentes. As autoridades sanitárias seguem investigando se essa variante traz alguma diferença prática em relação às cepas anteriores, como alterações em sintomas ou na forma de transmissão.

O que é a mpox e quem recebe vacina - A mpox, conhecida anteriormente como varíola dos macacos, é causada pelo vírus MPXV, do gênero Orthopoxvirus. A transmissão ocorre principalmente por contato físico direto e prolongado, incluindo relações sexuais, além de contato com objetos contaminados, inalação de gotículas respiratórias em situações específicas e transmissão da mãe para o filho.

Os sintomas mais comuns são:

lesões ou erupções de pele;

gânglios (ínguas) inchados;

febre, dores no corpo, dor de cabeça, calafrios e fraqueza.

O quadro costuma durar de duas a quatro semanas. Ao perceber sinais suspeitos, a orientação continua sendo procurar atendimento médico para avaliação e isolamento adequado.

A vacinação contra a doença segue direcionada a grupos de maior risco, seguindo critérios definidos pela OMS. O imunizante em uso no Brasil, liberado pela Anvisa em 2023, é aplicado em duas doses, com intervalo de quatro semanas.

Para acompanhar a nova cepa e evitar surtos maiores, a OMS reforçou algumas orientações aos governos nacionais:

manter vigilância ativa e notificação rápida de casos;

fazer sequenciamento genômico em todos os casos no início de surtos e em amostras representativas quando houver transmissão comunitária;

priorizar o sequenciamento em infecções importadas, atípicas ou graves;

garantir atendimento clínico adequado e medidas rigorosas de prevenção e controle de infecções;

fortalecer estratégias de vacinação para populações-chave;

integrar ações de mpox com serviços de HIV e outras ISTs;

buscar eliminar a transmissão de pessoa para pessoa onde a circulação é baixa;

informar viajantes pertencentes a grupos de maior risco.

A OMS afirma que segue monitorando a situação globalmente, oferecendo apoio técnico e articulando mecanismos para facilitar o acesso a diagnósticos e vacinas contra a mpox.