18 de fevereiro de 2026 - 09h55

Athletico é condenado por ataques a jornalista em nota sobre medalhas da Sul-Americana

Justiça do Paraná determina indenização a Napoleão de Almeida por texto no site oficial do clube, publicado em 2019

FUTEBOL
Arena da Baixada, em Curitiba: além de lidar com punição à torcida no Brasileirão, Athletico-PR agora foi condenado pelo TJPR a indenizar jornalista por ataques em nota oficial publicada em 2019. - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Critica)

Enquanto se prepara para enfrentar o Corinthians na Arena da Baixada, com público limitado por punição no Brasileirão, o Athletico-PR recebeu mais um problema fora de campo: o clube foi condenado pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) a indenizar o jornalista esportivo Napoleão de Almeida por ataques à sua honra em nota publicada no site oficial em 2019.

A decisão já transitou em julgado, ou seja, não cabe mais recurso. O processo teve origem em uma resposta do Athletico a uma reportagem do jornalista sobre a venda de réplicas de medalhas da conquista da Copa Sul-Americana de 2018.

Na época, o clube divulgou o texto intitulado “A verdade sobre as medalhas da Copa Sul-Americana”, em que contestava a matéria e explicava que, das 40 medalhas entregues pela Conmebol, oito teriam sido repassadas a uma ONG, vendidas por R$ 1,5 mil cada em uma ação social. O Athletico ainda afirmou ter pedido outras 50 medalhas à entidade e garantiu que todas as comercializadas eram originais.

O tribunal reconheceu o direito do clube de se manifestar, mas entendeu que o tom usado na nota ultrapassou os limites da crítica. De acordo com a decisão, o texto publicado pelo Athletico desqualificou o trabalho do jornalista, chamando-o de “pseudo jornalista” e atribuindo a ele postura de perseguição ao clube e ao então presidente, Mario Celso Petraglia.

Para o Judiciário, esse tipo de ataque “não esclarece nada” sobre o tema central, a questão das medalhas, e “atingiu a liberdade de expressão e a dignidade do jornalista”. O clube também alegou que a reportagem teria ofendido toda a torcida rubro-negra, argumento que foi rejeitado pelo juiz, que confirmou a indenização.

Em nota da defesa, o advogado Pedro Botan Cíceri, representante de Napoleão de Almeida, afirmou que a decisão reforça limites para o uso de plataformas oficiais de clubes e empresas.
Segundo ele, o entendimento do TJPR mostra que o direito de resposta e a liberdade de expressão “não podem servir de escudo para ataques pessoais ou à imagem profissional” e que o ambiente digital segue sujeito às regras de responsabilidade civil e de urbanidade, mesmo em situações de divergência.

Até o momento, o Athletico-PR não se manifestou publicamente sobre a condenação.