Eduarda Menina | 18 de fevereiro de 2026 - 10h05

VÍDEO: Kleber Mendonça mostra em vídeo como recriou Recife de 1977 em "O Agente Secreto"

Diretor divulgou comparações de cenas originais e finalizadas e detalhou uso de efeitos digitais no longa premiado

TECNOLOGIA
Neon lança produtos oficiais de O Agente Secreto durante campanha do filme ao Oscar. - (Foto: Divulgação)

O diretor Kleber Mendonça Filho divulgou nas redes sociais um vídeo que revela como foram feitos os efeitos visuais de “O Agente Secreto”, longa brasileiro que já soma 63 prêmios pelo mundo, segundo a produtora Cinemascópio. Nas imagens, ele compara o material bruto com o resultado final depois da pós-produção digital.

Kleber destaca o trabalho das empresas francesas McMurphy e Brom e da holandesa Lads, responsáveis por finalizar diversas sequências. “Meses de trabalho e anos imaginando as possibilidades de compor um filme”, escreveu o cineasta ao comentar o processo.

Um dos trechos mais curiosos do vídeo mostra a cena em que o personagem de Wagner Moura observa a Ponte Duarte Coelho, no Recife. Como a história se passa em 1977, durante a ditadura militar, a equipe usou efeitos visuais para reconstruir digitalmente a cidade: o piso original da ponte foi recriado e carros da época foram inseridos para recuperar o visual dos anos 1970.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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O diretor chamou esse processo de “retrofit digital” da ponte, ressaltando a importância de devolver à paisagem urbana elementos históricos que já não existem mais no cenário atual.

O material de bastidores também mostra a criação digital de um gato de duas cabeças que aparece em determinado momento do filme, além da restauração de fachadas de cinemas antigos e pinturas urbanas apagadas com o tempo. Os efeitos visuais foram usados não apenas para “embelezar” cenas, mas para reconstruir a atmosfera política e social da ditadura que serve de pano de fundo à trama.

Ambientado no Recife, “O Agente Secreto” acompanha Marcelo, vivido por Wagner Moura, que volta à cidade natal depois de deixar São Paulo e passa a viver sob identidade falsa. O elenco tem ainda Maria Fernanda Cândido, Gabriel Leone, Hermila Guedes e Udo Kier.

Com a repercussão internacional e a vitrine dos prêmios, o vídeo divulgado por Kleber ajuda a jogar luz sobre um dos pontos fortes do filme: a combinação entre rigor técnico, reconstrução de época e uma cidade recriada quadro a quadro no computador para contar uma história de perseguição política e memória.