Mocidade Alegre é campeã do carnaval 2026 e vence Gaviões por 0,1 ponto
Escola homenageou Léa Garcia, viralizou com carro de Iemanjá e conquistou o 13º título
CARNAVAL EM SPA Mocidade Alegre conquistou o título do carnaval de São Paulo em 2026 em uma das apurações mais equilibradas dos últimos anos. A escola somou 269,8 pontos e superou a Gaviões da Fiel por apenas 0,1 ponto, garantindo seu 13º campeonato no Grupo Especial.
A disputa foi acirrada do início ao fim. A Mocidade liderou boa parte da leitura das notas, viu a Gaviões assumir momentaneamente a ponta, mas retomou a liderança após a rival perder décimos nos quesitos finais. Ao término da apuração, confirmou a vitória e ampliou sua galeria de troféus.
Com o resultado, a escola se consolida como a segunda maior campeã da história do carnaval paulistano, atrás apenas da Vai-Vai, que soma 15 títulos.
Homenagem à Léa Garcia
Neste ano, a Morada do Samba levou ao Anhembi o enredo “Malunga Léa, Rapsódia de uma Deusa Negra”, uma celebração à vida e à trajetória da atriz Léa Garcia, símbolo de resistência, arte e afirmação da identidade negra no Brasil.
A artista morreu em 2023, aos 90 anos, no dia em que seria homenageada no Festival de Cinema de Gramado.
O desfile revisitou momentos marcantes de sua carreira, desde o Teatro Experimental do Negro até os papéis consagrados no cinema e na televisão. Carioca, Léa estrelou Orfeu Negro, de Marcel Camus, vencedor do Oscar de filme estrangeiro. Em 2005, foi premiada em Gramado por As Filhas do Vento, de Joel Zito Araújo.
Na comissão de frente, a atriz foi representada pela médica Thelma Assis, campeã do BBB 2020. O também médico e ex-BBB Fred Nicácio participou do desfile representando Abdias Nascimento, intelectual e artista brasileiro que foi casado com Léa.
Emoção na apuração
A presidente Solange Cruz acompanhou toda a apuração amparada pelo mestre de bateria Sombra e segurando os tradicionais terços que leva todos os anos.
“Trabalhamos com o critério embaixo do braço, mas não existe carnaval sem emoção, não só a Mocidade, várias escolas entregaram isso e é muito bacana perceber o quanto nosso carnaval cresceu”, afirmou.
Ela agradeceu a Deus, à comunidade e ao Orixá Oxumarê, citado no enredo.
Carro de Iemanjá viraliza no exterior
Nos dias que antecederam a apuração, a Mocidade Alegre ganhou destaque internacional com o carro alegórico de Iemanjá. A alegoria, com forte referência à ancestralidade africana, chamou atenção pela representação da divindade adornada com conchas e pelo efeito cenográfico da queda d’água.
Vídeos do desfile viralizaram em perfis estrangeiros nas redes sociais. “A forma como a África se manifesta no carnaval brasileiro é simplesmente linda para mim!”, dizia uma postagem com mais de um milhão de visualizações. Outra publicação destacou: “Para mim, não existe comunidade negra fora da África que se orgulhe mais de sua herança africana do que a negritude afro-brasileira. Linda”.
Rebaixadas
Na parte inferior da tabela, Rosas de Ouro — campeã em 2025 — e Águia de Ouro foram rebaixadas para o Grupo de Acesso.
Grupo de Acesso 1
No Grupo de Acesso 1, a campeã foi a Acadêmicos do Tucuruvi, que somou 269,9 pontos. Pérola Negra e Mancha Verde empataram com 269,4, mas a Pérola levou a melhor no critério de desempate, considerando as notas descartadas.
A Tucuruvi apresentou o enredo “Anti-Herói Brasil”, assinado pelo carnavalesco Nicolas Gonçalves e pelo enredista Cleiton Almeida. A narrativa celebrou o brasileiro que vive e luta em meio às contradições do país. Em 2025, a escola havia sido rebaixada.
Já a Pérola Negra desfilou com “Valei-Me Cangaceira Arretada, Maria que Abala a Gira, Valente e Bonita que Vence Demanda”, contando a história de Maria Bonita, rainha do cangaço.