PP ainda avalia apoio a Flávio Bolsonaro e descarta aliança com o PSD
Partido diz que decisão sobre eleições gerais será tomada a partir de maio e pede posicionamento menos restrito à base bolsonarista
POLÍTICAO Partido Progressistas (PP) não pretende apoiar uma eventual candidatura do PSD à Presidência da República e, no momento, trabalha com um cenário em que Flávio Bolsonaro seria a única opção de apoio ao Palácio do Planalto. A definição oficial, porém, deve ocorrer a partir de maio, quando o cenário eleitoral estará mais claro e após o prazo de desincompatibilização.
Dirigentes da sigla avaliam que, para receber o apoio, o senador precisará apresentar um discurso mais ao centro e detalhar o projeto que pretende defender. Há preocupação de que a campanha não fique restrita à defesa do legado do governo Jair Bolsonaro.
Flávio anunciou sua pré-candidatura em 5 de dezembro e, desde então, busca o endosso de partidos como PP, Republicanos, União Brasil e o próprio PSD, que estuda lançar nome próprio. Como estratégia, tem evitado críticas diretas a adversários e defende a unificação de forças de centro e direita, ainda que em um eventual segundo turno.
O PP é considerado peça-chave nessa articulação. O senador mantém diálogo frequente com o presidente da legenda, Ciro Nogueira, também senador. Em janeiro, Ciro afirmou ao Estadão/Broadcast que não apoiaria Flávio caso ele adotasse um discurso de extrema-direita.
Com 752 prefeitos eleitos em 2024, o PP possui a terceira maior presença nos municípios. Para este ano, a prioridade da sigla é ampliar as bancadas no Congresso, hoje com 49 deputados federais e 8 senadores, além de lançar cerca de cinco candidatos a governos estaduais, o que poderia garantir palanques regionais a Flávio.
Diferentemente do pai, que na primeira campanha criticou o chamado Centrão e priorizou alianças com militares, o senador tem concentrado esforços em negociações partidárias. Ele deve retomar conversas com dirigentes assim que retornar de viagem internacional iniciada em janeiro. Em dezembro, reuniu-se com Ciro Nogueira e com o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, mas encontrou resistência em atrair lideranças do PSD e do Republicanos.
No último dia 3, durante viagem ao Bahrein, Flávio comentou sobre a construção de alianças. “Da minha parte, sempre houve [união]. Nunca considerei um cenário em que não houvesse integração. Cada partido no seu tempo, respeito isso. Nunca tive dúvida que iremos caminhar juntos. É a analogia do melão no caminhão: a gente vai andando, os melões vão se acomodando”, afirmou.
Uma das cartas na mesa é a escolha do vice, ainda indefinida. Em janeiro, o senador disse que o nome deverá agregar politicamente e citou como exemplo a não ser seguido a escolha do general Braga Netto como vice de Jair Bolsonaro em 2022. “Nada contra a pessoa do general Braga Netto, adoro ele, é um cara fantástico, mas é uma pessoa que não agregava eleitoralmente, porque o meu pai é militar, ele era militar também”, declarou.
* As informações foram apuradas pelo Estadão/Broadcast.