PL critica desfile sobre Lula e pede punição por supostos ilícitos eleitorais
PT afirma que homenagem foi autônoma e nega participação do presidente na organização
EMBATE POLÍTICOO desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue no centro da disputa política. Nesta segunda-feira, 16, o Partido Liberal divulgou nota em que critica a apresentação e defende que a Justiça Eleitoral adote medidas contra o petista por supostos “ilícitos eleitorais”. Em resposta, o Partido dos Trabalhadores afirmou que não houve irregularidade e que o desfile foi uma manifestação artística independente da escola de samba.
No comunicado, o PL sustenta que a apresentação ultrapassou o limite de uma homenagem cultural e utilizou elementos de “evidente conotação político-eleitoral”.
“O uso de conhecido jingle de campanha, a menção repetida ao número de urna, a existência de ala com o símbolo do partido, a exploração de promessas de campanha, a exaltação do governo, e o tratamento depreciativo de segmentos da sociedade vinculados à oposição revelam a evidente conotação político-eleitoral da escola, num precedente exótico e inédito”, afirmou o partido.
A legenda argumenta que o desfile construiu uma narrativa de “bem contra mal”, o que configuraria “claro desvio de finalidade” no uso de recursos públicos. A nota também cita reportagens segundo as quais empresários com contratos com o governo federal teriam sido procurados para contribuir financeiramente com a escola.
O PL menciona ainda alegações de que integrantes do Palácio do Planalto teriam participado da escolha de artistas que estiveram no desfile. Caso essas informações sejam confirmadas, o partido afirma que haveria uso da estrutura da Presidência da República para interferir na disputa eleitoral.
Segundo a sigla, o episódio seria “inédito” e colocaria à prova a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral em situações consideradas menos graves. O partido defende que a Justiça Eleitoral adote “as providências cabíveis”.
O Partido dos Trabalhadores também divulgou nota nesta segunda-feira. No texto, a legenda afirma que não houve qualquer irregularidade eleitoral e que o desfile foi concebido e executado exclusivamente pela Acadêmicos de Niterói.
“A concepção, desenvolvimento e execução do desfile ocorreram de forma autônoma pela agremiação carnavalesca, sem participação, financiamento, coordenação ou qualquer ingerência do Partido dos Trabalhadores ou do presidente Lula”, diz o comunicado.
O PT sustenta que a liberdade de expressão cultural é assegurada pela Constituição e rebate a acusação de propaganda eleitoral antecipada.
“Nos termos do art. 36-A da Lei das Eleições, não configura propaganda eleitoral antecipada a mera exaltação de qualidades pessoais de agente político, sobretudo quando realizada por terceiros e sem pedido explícito de voto, elemento indispensável para caracterização de irregularidade eleitoral, inexistente no caso”, argumentou.
A legenda afirma ainda que não há “fundamento jurídico para qualquer discussão sobre inelegibilidade” do presidente.
A troca de notas ocorre após partidos como o Novo anunciarem que pretendem pedir a inelegibilidade de Lula por suposto abuso de poder político e econômico. O caso deve seguir em debate na Justiça Eleitoral nas próximas semanas.