Redação O Estado de S. Paulo | 16 de fevereiro de 2026 - 19h00

De Chaves a Scooby-Doo: como a polícia de SP define fantasias para agir nos blocos

Agentes à paisana se infiltram entre foliões para coibir furtos, tráfico e outros crimes durante o carnaval de rua

SEGURANÇA NO CARNAVAL
Fantasias ajudam policiais à paisana a se infiltrar nos blocos e identificar suspeitos durante o carnaval. - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Critica)

A cena de policiais fantasiados em meio a foliões voltou a ganhar repercussão no carnaval de rua de São Paulo. Vídeos de agentes vestidos como personagens da Turma do Chaves e da animação Scooby-Doo circularam nas redes sociais após prisões realizadas nos últimos dias. Por trás das imagens curiosas, há uma estratégia definida pela Polícia Civil para facilitar a identificação de suspeitos em meio à multidão.

Segundo o Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa, responsável pelas ações, a escolha das fantasias segue critérios específicos. O perfil do bloco é levado em consideração, assim como o conforto da vestimenta para os agentes, que permanecem horas em meio ao público.

Desde o pré-carnaval, já houve detenções por furto, venda de bebidas adulteradas e tráfico de drogas em operações desse tipo.

As equipes costumam ser compostas por seis a oito policiais à paisana. A avaliação interna é que o uso de fantasias ajuda na infiltração, permitindo que os agentes circulem sem chamar atenção.

Além de personagens como Chaves e Scooby-Doo, já foram utilizados trajes de extraterrestres, figuras do filme Caça-Fantasmas e da série Round 6. A decisão sobre o figurino considera o tipo de público esperado no bloco e a praticidade da roupa.

Os blocos monitorados são escolhidos com base em dois fatores principais: histórico de ocorrências, como roubos e furtos, e capacidade de atrair grande público.

Durante a atuação, os policiais observam comportamentos considerados suspeitos, entre eles:

pessoas que circulam sem participar da festa;
indivíduos que se aproximam rapidamente de possíveis vítimas;
pessoas que demonstram atenção excessiva a bolsos, bolsas, pochetes e outros pertences.

Além dos flagrantes feitos em meio aos blocos, as equipes também são acionadas quando o sistema de monitoramento com reconhecimento facial identifica suspeitos.

No domingo, 15, policiais caracterizados como personagens da série Chaves prenderam cinco suspeitos no distrito República, na região central da capital. Eles podem responder por tráfico de drogas e receptação de celular furtado.

A estratégia não é exclusiva de São Paulo. Em Salvador, agentes atuam usando roupas comuns de foliões, como bermudas e abadás. No Rio de Janeiro, a atuação também inclui o uso de fantasias.

Em São Paulo, a avaliação das autoridades é que a medida amplia a capacidade de identificar crimes em meio à aglomeração típica do carnaval de rua.