Agência Brasil | 15 de fevereiro de 2026 - 16h40

Morre Renato Rabello, ex-presidente do PCdoB, aos 83 anos

Dirigente comandou o partido por 14 anos, enfrentou a ditadura e atuou na articulação da Frente Brasil Popular

LUTO
Renato Rabello presidiu o PCdoB entre 2001 e 2015 e teve atuação política desde a ditadura militar. - (Foto: Arquivo/PCdoB)

O ex-presidente do Partido Comunista do Brasil, Renato Rabello, morreu neste domingo, 15, aos 83 anos. A informação foi confirmada pela legenda em nota oficial. Rabello presidiu o PCdoB entre 2001 e 2015 e teve trajetória marcada pela atuação política durante a ditadura militar, pelo exílio e pela participação em articulações partidárias de alcance nacional.

No comunicado, o partido manifestou pesar pela morte do dirigente. “[O PCdoB] expressa o sentimento de consternação de toda a militância comunista que, em homenagem a Renato, inclina a bandeira verde e amarela da pátria, entrelaçada com os estandartes vermelhos da revolução e do socialismo. E acolhe no peito os sentimentos, os pêsames que chegam do país e do exterior e pulsam nas redes sociais”, diz o texto.

Atuação na ditadura e exílio

Renato Rabello foi vice-presidente nacional da União Nacional dos Estudantes durante a ditadura militar instaurada em 1964. Também integrou a Ação Popular e participou do núcleo dirigente que conduziu a incorporação da organização ao PCdoB, em 1973.

Em 1976, após uma série de prisões, assassinatos e torturas contra dirigentes do partido no Brasil, Rabello foi para o exílio na França. Ele retornou ao país com a anistia, em 1979.

Ao longo de sua trajetória no PCdoB, dedicou-se ao fortalecimento das relações internacionais da legenda com países socialistas, especialmente China, Vietnã e Cuba.

A nota divulgada pelo partido destaca sua contribuição teórica e política. “Sua maior obra é o aporte de ideias e formulações ao acervo teórico, político e ideológico do Partido, importantes contribuições teóricas e políticas que enriqueceram o seu pensamento tático, estratégico e programático, como também a práxis de sua edificação e atuação na arena da luta de classes”, afirma o texto.

Articulação política

Rabello também teve papel relevante na formação da Frente Brasil Popular, ao lado de João Amazonas. A articulação reuniu PT, PSB e PCdoB e lançou, em 1989, a primeira candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República.

A morte do dirigente provocou manifestações de lideranças políticas. A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais do governo Lula, Gleisi Hoffmann, lamentou a perda. “Recebi com muita tristeza a perda do companheiro Renato Rabelo, grande liderança do PCdoB. Desde muito jovem, Renato entregou sua militância, inteligência e energia à defesa dos trabalhadores, do socialismo e do Brasil. Enfrentou a ditadura, a perseguição e o exílio”, escreveu nas redes sociais.

A deputada federal Jandira Feghali, do PCdoB, também prestou homenagem. “Hoje me despeço com profunda tristeza de um grande amigo, referência ideológica, política e de afeto, que presidiu nosso PCdoB por décadas, e um dos maiores construtores da história do Brasil. Renato dedicou a vida inteira à luta pela democracia, pela soberania nacional, por direitos e pelo socialismo. O Brasil ficou mais pobre de ideias e de luta”, afirmou.