Inovação que nasce no Pantanal avança e pode beneficiar setor florestal de MS
Tudo começou com um micro-organismo que já existia no solo do Pantanal. Pequeno, invisível, mas com grande potencial
BIOINOVAÇÃOA startup sul-mato-grossense Pantabio assinou, na quinta-feira, dia 12, em Campo Grande, um Acordo de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação. O objetivo é adaptar seu bioinsumo para ser usado na produção de mudas de eucalipto.
O evento foi realizado na sede da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação. O projeto conta com apoio da Embrapii, do Sebrae, da Universidade Federal de Viçosa e do Governo do Estado.
O que é essa tecnologia? A Pantabio trabalha com um fungo chamado Trichoderma, encontrado no solo pantaneiro. Ele ajuda as plantas a crescerem melhor e se protegerem de pragas.
Hoje, a empresa já usa essa tecnologia em culturas como soja, milho, milheto, uva e pastagem. Agora, quer aplicar o mesmo princípio no eucalipto.
“O fungo já tem naturalmente essa função. O que fazemos é ajustar a dosagem para cada cultura, como se fosse uma receita específica”, explicou o CEO da Pantabio, Tiago Calves.
Segundo ele, o novo investimento permite que a startup avance nos testes e ganhe mais credibilidade no mercado.
“Esse aporte financeiro nos permite avançar nos testes e validações e elevar o nível de pesquisa, contando com a expertise de instituições consolidadas”, afirmou.
Por que isso é importante? Mato Grosso do Sul vive um crescimento forte da indústria de celulose. Grandes empresas estão se instalando no Estado. Isso aumenta a demanda por tecnologia no plantio de eucalipto.
Adaptar o bioinsumo para o setor florestal pode abrir portas para atender indústrias como Arauco e MS Florestal.
Para o secretário-executivo de Ciência, Tecnologia e Inovação, Ricardo Senna, a parceria mostra que a união entre governo, universidade e empresa dá resultado.
“A ciência e a tecnologia agregam valor à produção. Estamos fortalecendo essa aproximação para que o conhecimento gerado nas universidades se transforme em soluções concretas”, afirmou.
A diretora-técnica do Sebrae/MS, Sandra Amarilha, também destacou a importância do projeto.
“Estamos materializando um resultado concreto da parceria entre Governo do Estado, empresas e universidades. É a inovação promovendo o desenvolvimento econômico.”
Da pesquisa ao mercado - Tiago Calves conta que o maior desafio não foi descobrir o potencial do fungo, mas transformar a pesquisa em negócio.
“Nós sabíamos desenvolver pesquisa, mas não como criar um produto, entender o mercado, validar no campo ou chegar até o cliente. Esse foi o nosso maior desafio e conseguimos superar”, disse.
Com apoio de editais estaduais e do Sebrae/MS, a startup conseguiu estruturar a empresa, estudar o mercado e testar o produto no campo.
Agora, a meta é crescer e conquistar novos mercados.
O que começou no solo do Pantanal pode, em breve, estar presente em milhares de hectares de eucalipto pelo Estado. Uma inovação local, com impacto direto na economia regional.