Carlos Viana pede ao STF devolução de documentos sobre quebras de sigilo de Vorcaro
Senador quer acesso a dados bancários, fiscais e telefônicos para avançar relatório final
CPI DO INSSO presidente da CPI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), solicitou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a devolução à comissão de todos os documentos relacionados às quebras de sigilo bancário, fiscal e telefônico do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Segundo Viana, o acesso ao material é fundamental para dar continuidade aos trabalhos da comissão, consolidar as provas já reunidas e avançar na elaboração do relatório final. O pedido foi feito após Mendonça assumir a relatoria do caso no Supremo.
De acordo com o senador, está prevista para a primeira semana após o feriado uma audiência institucional com o ministro para tratar da importância da cooperação entre os Poderes. Viana sustenta que a CPI tem o dever constitucional de apurar os fatos com profundidade, respeito ao devido processo legal e transparência.
Mendonça herdou o inquérito após o ministro Dias Toffoli deixar a relatoria. Em dezembro do ano passado, Toffoli havia determinado que os documentos relativos às quebras de sigilo solicitadas pela CPI não ficassem disponíveis ao colegiado.
Na ocasião, Viana criticou a decisão. “Sempre que se afasta de uma CPI o acesso a documentos essenciais, enfraquece-se a investigação e amplia-se a desconfiança da sociedade sobre o que se tenta ocultar”, afirmou.
Toffoli deixou o caso depois que a Polícia Federal encontrou menções ao nome dele no celular de Vorcaro. Reportagem do Estadão revelou que o ministro é sócio da empresa Maridt, administrada por dois de seus irmãos, que possuía participação em dois resorts da rede Tayayá. A empresa vendeu sua fatia a fundos de investimento que tinham como acionista o pastor Fabiano Zettel, apontado como cunhado e operador financeiro de Vorcaro.
O ministro confirmou a participação societária e o recebimento de dividendos, mas declarou não ter relação de amizade com o banqueiro e afirmou que “jamais recebeu qualquer valor” pago por ele.
Carlos Viana reiterou que o depoimento de Daniel Vorcaro está mantido para o dia 26 de fevereiro. O senador avalia recorrer à condução coercitiva caso o empresário não compareça.
Na semana passada, o presidente da CPI atendeu a um pedido da defesa de Vorcaro e adiou o depoimento, inicialmente marcado para o dia 5, para depois do carnaval. Segundo ele, a concordância ocorreu sob a condição de que não fosse impetrado habeas corpus para evitar o comparecimento futuro.
“É hora do seu Vorcaro começar a falar. Fui muito firme com a defesa para que ele comece a falar para 254 mil aposentados que tinham os descontos pelo banco dele sem confirmação de origem. Ou seja, o INSS repassava o dinheiro ao Banco Master”, declarou Viana em entrevista à CNN Brasil.
“Nós queremos entender do senhor Vorcaro, de onde ele conseguiu essa carteira, essa transferência para o INSS foi republicana ou teve favorecimento político? Nesse período, as pessoas que reclamavam que estavam sendo enganadas, de que maneiras elas foram atendidas?”, acrescentou.
A CPI do INSS apura suspeitas de irregularidades em operações de crédito consignado do Banco Master. Um processo administrativo do próprio INSS, datado de novembro passado, aponta que o banco deixou de apresentar 251.718 documentos que comprovariam contratos firmados com beneficiários da Previdência.
O número corresponde a 74,3% de um universo de 338.608 contratos que o banco informou ter celebrado entre outubro de 2021 e setembro de 2025.