Gilson Machado deixa PL, filia-se ao Podemos e mira vaga na Câmara
Ex-ministro critica antiga legenda e diz que 'a direita não tem dono'
MUDANÇA PARTIDÁRIAO ex-ministro do Turismo do governo Jair Bolsonaro, Gilson Machado Neto, oficializou nesta sexta-feira, 13, sua filiação ao Podemos e fez críticas públicas ao Partido Liberal (PL), legenda pela qual disputou o Senado em 2022. Durante o evento, afirmou que “a direita não tem dono” e justificou a saída por falta de espaço interno.
“O eleitor de direita é diferente do eleitor de esquerda. Ele é dono da própria consciência. A direita não tem dono. Cada eleitor de direita tem sua rede social e tira suas próprias definições de quem merece o seu voto ou não”, declarou.
Machado disse que não havia mais clima para permanecer no PL. “Infelizmente, quando eu vejo que não me cabe mais em um local, eu prefiro sair para não arrumar confusão. Então, saí tranquilo e pela porta da frente”, afirmou.
Candidatura à Câmara - Aliado próximo de Bolsonaro, o ex-ministro anunciou que será candidato a deputado federal por Pernambuco. Segundo ele, a estratégia é fortalecer o grupo político do ex-presidente em Brasília.
“Eu não vou mais para uma campanha em que eu não possa ajudar Bolsonaro e Flávio lá em Brasília. O que adianta eu me candidatar a senador, quase ser eleito, mas não chegar lá, como em 2022? Então, eu sou muito mais útil à causa tendo mandato de deputado federal”, disse.
Machado afirmou ter recebido “carta branca” do Podemos para atuar na campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto. Ele também criticou a falta de mobilização do PL em torno da pré-candidatura.
“Nas redes sociais, não tem uma menção a Flávio Bolsonaro em três meses de pré-campanha. Por curiosidade, abram o PL Mulher e o PL Pernambuco. Não tem uma menção. Eu fui voto vencido, não fui nem ouvido, por isso decidi sair e procurar quem me deu ambiente bom, o que eu estou sentindo no Podemos”, afirmou.
Disputa interna no PL - Em janeiro, quando anunciou a desfiliação, Machado ainda sinalizava intenção de disputar o Senado por Pernambuco. O PL enfrentava disputa interna entre ele e o presidente estadual da sigla, Anderson Ferreira, para definir o candidato. Com a saída do ex-ministro, a tendência é que Ferreira seja o escolhido.
Machado declarou que não conseguiu comunicar pessoalmente sua decisão a Bolsonaro por estar com restrições de deslocamento e impedido de deixar Recife. Segundo ele, o movimento foi informado a Flávio Bolsonaro e a Renato Bolsonaro, filho e irmão do ex-presidente.
Investigação e medidas cautelares - Em junho do ano passado, Gilson Machado foi preso pela Polícia Federal no Recife. De acordo com a PF e a Procuradoria-Geral da República, ele teria tentado obter um passaporte português para o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, deixar o Brasil. Machado negou as acusações.
No mesmo dia, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou a soltura do ex-ministro. Moraes avaliou que, após as diligências realizadas, a prisão preventiva não era mais necessária, podendo ser substituída por medidas cautelares, como cancelamento do passaporte, proibição de deixar o País e de manter contato com outros investigados.
Trajetória política - Gilson Machado se aproximou de Bolsonaro em 2018. Foi secretário no Ministério do Meio Ambiente e, em maio de 2019, assumiu a presidência da Embratur, onde permaneceu por mais de um ano. Em dezembro de 2020, foi nomeado ministro do Turismo.
Também músico, ganhou visibilidade ao tocar sanfona em transmissões ao vivo feitas por Bolsonaro durante a pandemia de covid-19. Já gravou com nomes como Zé Ramalho e integra a banda Brucelose.
Com a filiação ao Podemos, Machado tenta reposicionar sua atuação política em Pernambuco e manter alinhamento com o bolsonarismo, agora com foco em uma cadeira na Câmara dos Deputados.