Relatório da PF cita Toffoli em diálogos sobre aporte de R$ 20 milhões em resort
Mensagens no celular de Daniel Vorcaro mencionam ex-esposa do ministro e empreendimento no Paraná
INVESTIGAÇÃO NO STFUm relatório da Polícia Federal encaminhado ao Supremo Tribunal Federal menciona o nome do ministro Dias Toffoli em conversas encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. As mensagens fazem referência a uma ordem de pagamento de R$ 20 milhões para um resort no Paraná no qual Toffoli tinha participação societária e citam, nominalmente, a ex-esposa do magistrado, Roberta Rangel.
O documento foi enviado à Presidência do STF, compartilhado com os demais ministros da Corte e encaminhado ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. Até o momento, não há decisão sobre eventuais providências a serem adotadas.
Conversas e menções ao resort - De acordo com o relatório, Vorcaro trocou mensagens com o cunhado, Fabiano Zettel, nas quais comenta sobre o resort Tayayá, no Paraná. Segundo os investigadores, os diálogos indicam que ambos tinham conhecimento de que Toffoli era um dos sócios do empreendimento.
Em um dos trechos, Vorcaro orienta Zettel a realizar um aporte de R$ 20 milhões no Tayayá. O valor é mencionado nas conversas, mas a Polícia Federal ainda não confirmou se a quantia foi efetivamente paga nem se eventual recurso teria sido destinado ao ministro.
Após a divulgação do relatório, Toffoli reconheceu publicamente que é sócio da empresa Maridt, que possuía participação no resort, e afirmou ter recebido dividendos da companhia. Ele não detalhou valores.
A Maridt é oficialmente administrada por dois irmãos do ministro e tinha participação em dois resorts da rede Tayayá. Parte dessa fatia foi vendida a um fundo ligado a Zettel, cunhado de Vorcaro.
Citações à ex-esposa - O relatório também menciona diálogos nos quais Vorcaro cita o nome de Roberta Rangel. Segundo a PF, há indícios de que ela tenha atuado juridicamente para o Banco Master no período em que ainda era casada com Toffoli. O casal se separou no ano passado.
Nesta fase da apuração, porém, não houve aprofundamento para confirmar se existiu contrato formal entre ela e o banco.
Procurado, Toffoli não comentou especificamente esse ponto. Em manifestação anterior, classificou as informações do relatório como “ilações”, negou relação de amizade com Vorcaro e afirmou que não recebeu pagamentos do banqueiro. A defesa de Vorcaro ainda não se pronunciou.
Troca de mensagens e mudança na relatoria - A Polícia Federal também identificou trocas de mensagens de WhatsApp entre Toffoli e Vorcaro para marcar encontros sociais, além de registros de ligações telefônicas entre os dois. O conteúdo das chamadas não foi detalhado no relatório.
Após reunião realizada na noite de quinta-feira, 12, Toffoli decidiu deixar a relatoria do caso envolvendo o Banco Master no STF. O processo foi redistribuído ao ministro André Mendonça. Com a mudança, os ministros optaram por extinguir o procedimento aberto a partir do relatório que analisava eventual suspeição do magistrado.
Investigadores ressaltam que o documento tem caráter descritivo e reúne diálogos acompanhados de informações contextuais obtidas em fontes abertas. Segundo a PF, o relatório não configura, neste momento, um ato formal de investigação contra o ministro, mas um resumo das menções encontradas e do contexto em que apareceram.
O material segue sob análise da Procuradoria-Geral da República, que ainda não definiu quais medidas poderão ser adotadas a partir das informações reunidas.