Ibovespa recua 1% após recorde histórico e fecha aos 187 mil pontos
Realização de lucros e aversão ao risco externo pressionam Bolsa; Banco do Brasil sobe 4,5%
ECONOMIADepois de encostar nos 190 mil pontos no fechamento de quarta-feira e atingir o patamar inédito durante o pregão, o Ibovespa interrompeu a sequência de altas nesta quinta-feira, 12, e passou por um movimento de correção.
O principal índice da B3 oscilou entre 186.959,07 e 189.989,97 pontos e encerrou o dia em queda de 1,02%, aos 187.766,42 pontos. O volume financeiro somou R$ 39,4 bilhões. Apesar do recuo, o índice acumula alta de 3,53% no mês, avanço de 2,63% na semana e valorização de 16,53% no ano.
A pausa ocorre após a forte valorização recente e em meio ao ambiente externo mais cauteloso, com investidores realizando lucros.
Em Nova York, os principais índices registraram perdas relevantes. O Nasdaq chegou a cair 2,03% no dia e acumula recuo de cerca de 3,7% no mês, diante do escrutínio sobre os elevados investimentos em Inteligência Artificial pelas gigantes de tecnologia.
O movimento de aversão ao risco levou a uma rotação global de ativos, com redução de exposição a ações nos Estados Unidos. Nesse cenário, os rendimentos dos Treasuries recuaram, enquanto o petróleo caiu quase 3% em Londres e Nova York.
Segundo Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, o mercado também ajusta posições após dados de emprego mais fortes nos Estados Unidos e aguarda a divulgação do índice de preços ao consumidor, prevista para sexta-feira.
Na B3, entre as principais ações, apenas Banco do Brasil ON fechou em alta expressiva, de 4,50%. O desempenho ocorreu após a divulgação do balanço trimestral na noite anterior e conferência com investidores nesta manhã.
O banco conseguiu se descolar do restante do setor financeiro, que operou em baixa. Santander Unit caiu 4,88% na mínima do dia, enquanto Bradesco PN recuou 1,44% e Itaú PN perdeu 2,29%.
Entre as maiores quedas do índice, destaque para Raízen (-12,99%), Braskem (-11,27%), CSN (-9,56%) e Magazine Luiza (-8,56%). Do lado positivo, Assaí avançou 5,09% e Ambev subiu 4,76%, após divulgar resultados do quarto trimestre.
Com o petróleo em queda, as ações da Petrobras figuraram entre as principais baixas do dia, com recuo de 3,09% nas ordinárias e 2,55% nas preferenciais.
Luise Coutinho, head de produtos e alocação na HCI Advisors, explica que a queda superior a 10% da Braskem ocorreu após a Petrobras confirmar que não pretende exercer direitos de compra ou venda conjunta na negociação das ações da petroquímica.
Ela também aponta que a Agência Internacional de Energia revisou para baixo a previsão de consumo global de petróleo em 2026, o que pressionou os preços internacionais e impactou empresas do setor, como Prio (-2,56%), PetroReconcavo (-3,36%) e Brava (-3,09%).
A sessão refletiu um ajuste técnico após recordes recentes e um ambiente externo mais defensivo, enquanto investidores aguardam novos indicadores que possam sinalizar os próximos passos da política monetária americana.