Cícero Cotrim | 12 de fevereiro de 2026 - 17h45

Alckmin cobra resposta da China sobre cota de carne e alerta para impacto nas exportações

Governo tenta evitar sobretaxa sobre volumes que superem limite de 1,1 milhão de toneladas em 2026

COMÉRCIO EXTERIOR
Alckmin diz que governo aguarda resposta da China sobre flexibilização da cota de carne para 2026. - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Critica)

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta quinta-feira (12) que o governo brasileiro ainda aguarda uma resposta das autoridades chinesas sobre pedidos para flexibilizar as cotas de exportação de carne para 2026. A preocupação é reduzir os impactos de eventuais sobretaxas sobre o produto brasileiro.

A China definiu que o Brasil poderá exportar até 1,1 milhão de toneladas de carne ao país no próximo ano. Qualquer volume que ultrapasse esse limite estará sujeito a uma sobretarifa. Em 2025, o Brasil exportou 1,7 milhão de toneladas para o mercado chinês — uma diferença de 600 mil toneladas em relação ao teto estabelecido para 2026.

Segundo Alckmin, o governo brasileiro apresentou dois pedidos formais às autoridades chinesas. O primeiro é que as proteínas embarcadas ainda em 2025 não sejam contabilizadas dentro da cota válida para 2026. O segundo é que eventuais “sobras” nas cotas de outros países, que não atinjam seus limites, possam ser redirecionadas ao Brasil.

Mercado estratégico - A China é o principal destino da carne brasileira e representa uma fatia significativa do setor exportador. A imposição de uma cota inferior ao volume embarcado no ano passado acende o alerta entre produtores e frigoríficos, já que a aplicação de sobretarifa pode reduzir competitividade e pressionar margens.

A diferença entre o volume exportado em 2025 e o limite fixado para 2026 indica que, caso não haja flexibilização, parte relevante da produção destinada ao mercado chinês poderá enfrentar barreiras adicionais ou precisar ser redirecionada a outros países.

Ao afirmar que o governo “continua aguardando” posicionamento das autoridades chinesas, Alckmin sinaliza que as tratativas seguem abertas, mas ainda sem definição. A estratégia brasileira busca preservar o nível de embarques e evitar prejuízos ao setor de proteína animal.

O tema envolve não apenas comércio bilateral, mas também o equilíbrio da balança comercial brasileira, já que a carne figura entre os principais produtos da pauta exportadora para o gigante asiático.

Enquanto a resposta oficial não é anunciada, o setor acompanha com atenção os desdobramentos das negociações, ciente de que qualquer mudança nas regras pode impactar diretamente a cadeia produtiva e os preços internos.