Alckmin cobra resposta da China sobre cota de carne e alerta para impacto nas exportações
Governo tenta evitar sobretaxa sobre volumes que superem limite de 1,1 milhão de toneladas em 2026
COMÉRCIO EXTERIORO vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta quinta-feira (12) que o governo brasileiro ainda aguarda uma resposta das autoridades chinesas sobre pedidos para flexibilizar as cotas de exportação de carne para 2026. A preocupação é reduzir os impactos de eventuais sobretaxas sobre o produto brasileiro.
A China definiu que o Brasil poderá exportar até 1,1 milhão de toneladas de carne ao país no próximo ano. Qualquer volume que ultrapasse esse limite estará sujeito a uma sobretarifa. Em 2025, o Brasil exportou 1,7 milhão de toneladas para o mercado chinês — uma diferença de 600 mil toneladas em relação ao teto estabelecido para 2026.
Segundo Alckmin, o governo brasileiro apresentou dois pedidos formais às autoridades chinesas. O primeiro é que as proteínas embarcadas ainda em 2025 não sejam contabilizadas dentro da cota válida para 2026. O segundo é que eventuais “sobras” nas cotas de outros países, que não atinjam seus limites, possam ser redirecionadas ao Brasil.
Mercado estratégico - A China é o principal destino da carne brasileira e representa uma fatia significativa do setor exportador. A imposição de uma cota inferior ao volume embarcado no ano passado acende o alerta entre produtores e frigoríficos, já que a aplicação de sobretarifa pode reduzir competitividade e pressionar margens.
A diferença entre o volume exportado em 2025 e o limite fixado para 2026 indica que, caso não haja flexibilização, parte relevante da produção destinada ao mercado chinês poderá enfrentar barreiras adicionais ou precisar ser redirecionada a outros países.
Ao afirmar que o governo “continua aguardando” posicionamento das autoridades chinesas, Alckmin sinaliza que as tratativas seguem abertas, mas ainda sem definição. A estratégia brasileira busca preservar o nível de embarques e evitar prejuízos ao setor de proteína animal.
O tema envolve não apenas comércio bilateral, mas também o equilíbrio da balança comercial brasileira, já que a carne figura entre os principais produtos da pauta exportadora para o gigante asiático.
Enquanto a resposta oficial não é anunciada, o setor acompanha com atenção os desdobramentos das negociações, ciente de que qualquer mudança nas regras pode impactar diretamente a cadeia produtiva e os preços internos.