Gabriel Damasceno | 12 de fevereiro de 2026 - 13h00

Vírus Nipah não tem casos no Brasil e risco de pandemia é considerado baixo

Após dois registros na Índia, buscas pela doença aumentam no país, mas Ministério da Saúde descarta ameaça imediata

SAÚDE
Brasil não tem casos confirmados de vírus Nipah, segundo o Ministério da Saúde. - (Foto: Reprodução)

O registro de dois casos do vírus Nipah na Índia, no fim de janeiro, provocou aumento nas buscas sobre a doença no Brasil e levantou dúvidas às vésperas do carnaval. Apesar da repercussão nas redes sociais, o Ministério da Saúde informa que o país não tem nenhum caso confirmado e que não há motivo para preocupação.

Segundo a pasta, o risco de uma pandemia é considerado baixo. Em nota, o ministério afirma que o Brasil mantém protocolos permanentes de vigilância para agentes patogênicos emergentes e acompanha a situação internacional.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, os dois casos confirmados na Índia ocorreram entre profissionais de saúde. Essas pessoas tiveram contato com 198 indivíduos, que foram identificados e testados, todos com resultado negativo. O último caso foi registrado em 13 de janeiro, o que indica que o evento se aproxima do fim do período de monitoramento.

O professor de moléstias infecciosas e tropicais da Faculdade de Medicina da USP e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia, Benedito Fonseca, afirma que o vírus tem potencial epidêmico, mas raramente causará uma pandemia.

"O surto de Nipah na Índia está se extinguindo e, portanto, acredito ser mínima a chance de termos infecção pelo Nipah no Brasil", afirma.

Ele explica que a principal medida é a identificação rápida de casos suspeitos, especialmente em pessoas que tenham viajado para a Índia ou Bangladesh. "O que temos de fazer, e o Ministério da Saúde está atento a isso, é a detecção rápida de um caso possível, principalmente em uma pessoa que tenha vindo da Índia ou Bangladesh, pois esse vírus é também transmitido por secreções respiratórias", acrescenta.

O vírus pode ser transmitido por contato com animais infectados, ingestão de alimentos contaminados ou de pessoa para pessoa. No caso da transmissão entre humanos, o contágio ocorre principalmente por contato próximo com fluidos corporais ou gotículas respiratórias.

"Esse é o grande perigo desse vírus, pois uma pessoa com a doença pode transmiti-lo para outra pessoa que nunca teve a doença e, com isso, causar um surto epidêmico", pontua Fonseca.

Os hospedeiros naturais são morcegos da família Pteropodidae, que não existem no Brasil. Porcos e cavalos também podem ser infectados. A transmissão pode ocorrer pelo contato com esses animais ou pelo consumo de frutas e sucos contaminados com urina ou saliva de morcegos infectados.

O período entre a infecção e o início dos sintomas varia de quatro a 14 dias. Segundo o especialista, os casos podem ser assintomáticos ou evoluir para quadros graves, com taxa de letalidade que pode chegar a 75%.

"Os sintomas iniciais são febre, dores no corpo, mal-estar geral, cefaleia e vômitos. Essas manifestações iniciais podem evoluir para uma doença respiratória muito grave e para o acometimento do sistema nervoso central, causando um quadro clínico denominado encefalite; esses casos são aqueles com a maior taxa de letalidade", explica.

Não há tratamento específico comprovadamente eficaz. O antiviral remdesivir vem sendo utilizado de forma compassiva em alguns casos, mas a conduta é baseada em tratamento de suporte. Também não existe vacina contra o vírus.