Redação | 12 de fevereiro de 2026 - 09h28

Caiman ajuda a reabilitar filhotes órfãos do Pantanal antes da reintrodução na natureza

O Centro de Atendimento da Caiman vai reabilitar filhotes órfãos, principalmente tamanduás-bandeira, vítimas de incêndios e atropelamentos no Pantanal

VIDA RECOMEÇA
Tamanduá-bandeira se alimenta em centro de reabilitação, símbolo dos esforços de preservação da fauna no Pantanal. - (Foto: Divulgação)

O Pantanal é um lugar único, cheio de vida, mas também enfrenta grandes desafios. Incêndios, atropelamentos e a perda de habitat estão colocando várias espécies em risco. Entre elas, os tamanduás, tatus e preguiças, que pertencem a uma família de mamíferos chamados Xenarthra. Esses animais, com um papel importante no ecossistema, estão sendo cada vez mais ameaçados.

Pensando nisso, a Caiman, um refúgio ecológico de 53 mil hectares localizado em Miranda (MS), criou o Centro de Atendimento de Animais Silvestres (CAAS), um espaço dedicado à reabilitação e preservação dessas espécies. O projeto também é uma parceria com o Instituto Tamanduá, que há mais de 20 anos trabalha pela proteção e recuperação de animais do Pantanal.

O CAAS será o primeiro centro no mundo a focar em estudos e cuidados com os xenarthras. “Os tamanduás são mamíferos muito antigos, com 65 milhões de anos. É essencial que esses animais continuem existindo no Pantanal”, afirma Flávia Miranda, médica veterinária e fundadora do Instituto Tamanduá. Ela explica que muitos desses animais, como o tamanduá-bandeira, são vítimas de incêndios ou atropelamentos. Eles chegam ao centro órfãos e precisam de cuidados especiais antes de serem reintroduzidos na natureza.

Os filhotes são tratados com muito cuidado para aprenderem a se virar na selva. Depois de passarem por todo o processo de recuperação, os animais são soltos novamente na vasta área de 53 mil hectares da Caiman. Flávia Miranda afirma que, para garantir que a reintrodução seja bem-sucedida, os animais serão monitorados por pelo menos dois anos. O objetivo é verificar se eles conseguem se reproduzir no ambiente natural, o que seria a maior prova de que a reintegração foi bem feita.

Veterinária segura filhote órfão resgatado no Pantanal, reforçando o trabalho de reabilitação e conservação da fauna silvestre

O CAAS também serve como apoio para o GRETAP (Grupo de Resgate Técnico Animal do Pantanal). Esse grupo é responsável por resgatar animais em emergências, como incêndios. Flávia Miranda destaca que, com o atendimento emergencial imediato, as chances de sobrevivência dos animais aumentam em até 90%. Após o atendimento inicial no CAAS, os animais são encaminhados para unidades especializadas, onde recebem o tratamento adequado.

Além de cuidar de animais órfãos, o CAAS vai ser um centro de pesquisa de ponta. Cientistas poderão estudar a saúde e a reprodução dos xenarthras e desenvolver novas formas de conservação para essas espécies que são tão importantes para o Pantanal. Flávia Miranda explica que o foco da pesquisa será entender melhor as necessidades desses animais para que possam ser preservados de forma mais eficaz.

A Caiman, que já é conhecida por seu trabalho em ecoturismo sustentável, agora expande sua missão de preservação. O centro vai ajudar a proteger ainda mais o Pantanal e suas espécies ameaçadas, ao mesmo tempo em que promove a educação ambiental. Para garantir que esse trabalho continue, o Instituto Tamanduá faz um convite à sociedade para contribuir com doações. Todo apoio é importante para garantir que o centro continue salvando e reabilitando animais para o futuro do Pantanal.

“Juntos, podemos garantir o futuro dessas espécies ancestrais no Pantanal”, diz Flávia Miranda, lembrando que todos podem fazer a diferença na conservação do bioma.