Da Redação | 11 de fevereiro de 2026 - 18h30

CDL cobra reajuste do Simples e alerta para freio no crescimento de pequenas empresas

Entrevista concedida nesta quarta-feira, dia 11, aponta que limite congelado desde 2018 trava expansão e pode perder vantagem com reforma tributária

COMÉRCIO EM ALERTA
O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Campo Grande, Adelaido Vila Figueiredo. - (Foto: A Critica)

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Campo Grande, Adelaido Vila Figueiredo, afirmou nesta quarta-feira (11), em entrevista ao programa Giro Estadual de Notícias, que o limite do Simples Nacional precisa ser reajustado com urgência. Segundo ele, o teto de faturamento está congelado em R$ 4,8 milhões desde 2018, sem correção pela inflação, o que tem criado barreiras ao crescimento de pequenos e médios empresários.

De acordo com Adelaido, muitos empreendedores evitam expandir o negócio para não ultrapassar o limite e serem obrigados a migrar para o lucro presumido ou lucro real, regimes em que a carga tributária pode aumentar de forma significativa.

“Quando você está próximo de estourar o seu limite, o escritório de contabilidade acaba orientando a abrir um novo CNPJ para não ultrapassar o teto”, afirmou.

Ele destacou que, em Campo Grande, existem cerca de 174 mil CNPJs ativos, sendo que mais de 60% pertencem a microempreendedores. Segundo o presidente da CDL, é comum empresários abrirem dois ou mais CNPJs para continuar enquadrados no Simples e evitar aumento de impostos.

Para a entidade, o congelamento do teto distorce o ambiente de negócios e desestimula o crescimento formal das empresas. A Federação das CDLs de Mato Grosso do Sul, segundo Adelaido, tem levado o tema a Brasília e cobrado mudanças do governo federal e do Congresso.

Outro ponto levantado na entrevista foi o impacto da reforma tributária. Na avaliação do presidente da CDL, o Simples pode perder competitividade porque não gera créditos tributários para grandes empresas.

“Se ele permanecer no simples, ele não vai conseguir, principalmente o prestador de serviço, gerar crédito para as empresas que compram com ele. Se ele não gerar crédito, a empresa grande vai deixar de comprar dele”, disse.

Diante desse cenário, a orientação da CDL para empresários que estão próximos do limite é avaliar com cautela o próximo passo. Segundo ele, pode ser mais vantajoso sair do Simples e buscar planejamento tributário adequado do que permanecer no regime e perder mercado.

A CDL informou que mantém assessoria jurídica e fiscal para orientar associados sobre alternativas dentro da legislação atual.

Durante a entrevista, Adelaido também comentou o aumento do IPTU e da taxa de lixo em Campo Grande. Ele classificou a situação como preocupante e afirmou que o impacto pode atingir diretamente o consumo e a atividade econômica local.

Segundo dados citados por ele, 76% da população de Campo Grande está endividada, e 48% desse total encontra-se inadimplente. Para o presidente da CDL, aumentos tributários em um cenário como esse tendem a travar ainda mais o comércio.

A entidade afirmou que continuará acompanhando tanto a discussão do Simples Nacional quanto os desdobramentos locais envolvendo tributos municipais.

Para pequenos empresários e profissionais da contabilidade, o recado é claro: o debate sobre o limite do Simples não é apenas técnico. Ele afeta diretamente decisões de investimento, contratação e crescimento.

Enquanto o teto permanecer congelado, segundo a CDL, muitos negócios continuarão crescendo com o “freio puxado”.