Ministro do TCU amplia sigilo sobre parecer que analisa atuação do BC
Documento técnico favorável ao Banco Central só poderá ser consultado com autorização do relator
CASO MASTERO ministro Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União (TCU), restringiu ainda mais o acesso do Banco Central ao parecer técnico que analisa a atuação da autarquia no caso Master. A informação foi divulgada inicialmente pelo Valor Econômico e confirmada pelo Estadão com interlocutores do BC.
Segundo o TCU, o documento teve a classificação alterada de “sigiloso” para “sigiloso com exigência de autorização específica de leitura”. Na prática, isso significa que o Banco Central só poderá acessar o conteúdo após solicitar e obter autorização expressa do ministro relator.
A mudança foi solicitada pela Secretaria-Geral de Controle Externo do tribunal, com o objetivo de evitar vazamentos, e foi deferida por Jhonatan de Jesus, com ciência do Banco Central.
“O TCU esclarece que o Banco Central terá acesso a todas as peças processuais sempre que necessário, não havendo qualquer prejuízo ao órgão jurisdicionado”, informou a Corte em nota. Neste momento, porém, o BC está sem acesso ao parecer.
Parecer técnico teria sido favorável ao BC - De acordo com pessoas próximas ao Banco Central, a área técnica do TCU concluiu que a atuação da autarquia na liquidação do banco, decretada em novembro, foi adequada e não recomendou mudanças de conduta.
Ainda segundo esses interlocutores, os técnicos teriam apontado que, caso o BC não tivesse adotado a medida, o tribunal poderia ter sido chamado a agir.
O Banco Central chegou a consultar o documento, mas não pôde fazer cópias nem receber versão física do texto.
A conclusão técnica contrasta com a posição pública do ministro Jhonatan de Jesus, que levantou a hipótese de que o BC poderia ter agido de forma precipitada ao decretar a liquidação do Master.
Estranheza e debate sobre competência - O aumento do nível de sigilo gerou desconforto no Banco Central. Integrantes da autarquia avaliam que o documento poderia esclarecer a atuação do órgão e jogar luz sobre a controvérsia.
Representantes do Ministério Público junto ao TCU também relataram que a restrição foge ao padrão habitual da Corte.
Na terça-feira, 10, o presidente do TCU, Vital do Rêgo Filho, informou que a inspeção técnica foi concluída e que o processo será encaminhado ao relator nesta quinta-feira, 12. Após despacho de Jhonatan de Jesus, o caso deverá ser levado ao plenário.
Embora os ministros costumem se basear nas conclusões da área técnica, eles têm autonomia para decidir de forma independente. A ampliação do sigilo é vista por interlocutores como uma forma de reduzir pressões externas sobre o voto do relator.
A atuação do TCU no caso Master tem sido questionada por especialistas, que argumentam que a fiscalização do sistema financeiro é atribuição do Banco Central. Também chamou atenção a rapidez com que o tribunal se envolveu no episódio e as menções do relator à possibilidade de adoção de medida cautelar que poderia suspender o processo e beneficiar o banqueiro Daniel Vorcaro.