Redação | 11 de fevereiro de 2026 - 16h31

Conta de luz sobe com subsídios bilionários, alerta Rosimeire Costa

Presidente do Conacen diz que excessos no setor elétrico pesam no bolso do consumidor e cobra mais transparência

CUSTO ELETRICO
A presidente do Conacen (Conselho Nacional dos Consumidores de Energia Elétrica) e do Concen-MS, Rosimeire Costa - (Foto: Divulgação)

A conta de luz do brasileiro está mais cara. E uma parte importante desse aumento não vem apenas da geração de energia, mas dos subsídios acumulados ao longo dos anos no setor elétrico. O alerta é da presidente do Conselho Nacional dos Consumidores de Energia Elétrica, o Conacen, e do Concen-MS, Rosimeire Costa.

Ela participou, nesta quarta-feira (11), de um encontro entre distribuidoras do grupo CPFL, conselhos de consumidores e representantes do setor. O evento discutiu planejamento para 2026, investimentos e os rumos do mercado de energia no país. Mas um tema dominou o debate: os subsídios e seus impactos diretos na conta de luz.

Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica, a Conta de Desenvolvimento Energético, conhecida como CDE, deve movimentar R$ 49,2 bilhões em 2025. Desse total, R$ 46,8 bilhões serão pagos diretamente pelos consumidores na tarifa. Para 2026, a previsão sobe para R$ 52,7 bilhões.

Na prática, isso significa que parte significativa do valor pago na fatura não é apenas pela energia consumida, mas para custear políticas públicas e incentivos setoriais.

Entre os principais itens estão a Tarifa Social de energia, incentivos à geração distribuída, como painéis solares, subsídios a fontes renováveis e custos com geração em regiões isoladas. Só a geração distribuída deve custar R$ 6,8 bilhões em 2026. A Tarifa Social, R$ 10,4 bilhões.

Rosimeire Costa afirma que o problema não é a existência de políticas públicas, mas a forma como elas são financiadas.

“O conselheiro precisa acompanhar de perto o planejamento da sua área e compreender como os investimentos e os subsídios impactam o consumidor”, afirmou.

Ela defende que parte dessas políticas deveria ser bancada pelo Tesouro Nacional e não repassada diretamente à conta de luz.

Estudos do setor apontam que subsídios e ineficiências podem representar cerca de 26% do valor total pago pelos consumidores no Brasil. Em algumas regiões, encargos, impostos e perdas chegam a representar quase metade da fatura.

Enquanto isso, a tarifa média subiu cerca de 6,3% em 2025, acima da inflação. Quando há bandeira vermelha, o valor aumenta ainda mais.

Outro ponto levantado por Rosimeire é o avanço do mercado livre de energia. Em 2025, mais de 21 mil novos consumidores migraram para esse modelo, que já representa cerca de 43% do consumo nacional. No mercado livre, empresas e consumidores de maior porte podem negociar diretamente o preço da energia.

Para ela, a abertura do mercado pode trazer economia, mas é preciso cuidado.

“É preciso tomar muito cuidado para não onerar mais uma vez os pequenos consumidores”, alerta.

Isso porque, quando grandes consumidores migram para o mercado livre, os custos fixos do sistema acabam sendo divididos entre quem permanece no mercado regulado, geralmente residências e pequenos comércios.

No encontro com as distribuidoras da CPFL, também foram discutidos os Planos de Desenvolvimento da Distribuição, que definem investimentos e prioridades das concessionárias. Rosimeire reforçou que os conselhos de consumidores devem acompanhar de perto esses planos antes da definição final, prevista para os próximos meses.

O debate inclui ainda projetos como medidores inteligentes, que permitem melhor controle do consumo e aplicação de tarifas diferenciadas por horário.

Para Rosimeire Costa, a discussão sobre subsídios precisa ganhar mais transparência e envolver a sociedade.

“Qualquer proposta que envolva mudanças precisa ter a voz do consumidor”, resume.

No fim das contas, cada bilhão a mais na CDE se transforma em centavos a mais na fatura mensal. Para o consumidor comum, pode parecer pouco. Mas, somado mês após mês, o impacto pesa no orçamento.

A pergunta que fica é simples: quem deve pagar pelas políticas do setor elétrico, o contribuinte via impostos ou o consumidor direto na conta de luz?